Jorge Messias enfrenta sabatina no Senado para vaga no STF após longa espera e negociações políticas intensas
Após um período de cinco meses desde o anúncio de sua indicação, o Advogado-Geral da União, Jorge Messias, está prestes a passar por um momento decisivo em sua carreira. Nesta quarta-feira (29), ele enfrentará a sabatina e a votação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal. A expectativa é de que seu nome siga para deliberação no plenário da Casa no mesmo dia, marcando o ápice de um processo que envolveu intensas articulações políticas.
Para que Jorge Messias seja nomeado ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), ele precisará obter o apoio mínimo de 14 senadores na CCJ e, posteriormente, 41 votos no plenário. Caso aprovado, ele ocupará a vaga deixada pela aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso, um cargo de grande relevância para o Judiciário brasileiro. Desde sua indicação em novembro passado, Messias tem se dedicado a uma verdadeira maratona de visitas a gabinetes de senadores, buscando construir o consenso necessário.
A trajetória da indicação de Messias ao STF tem sido marcada por desafios e tensões entre o Planalto e o Congresso. Inicialmente, a formalização da indicação pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva sofreu atrasos, o que gerou insatisfação em setores do Senado. No entanto, com o passar do tempo, o governo demonstra otimismo, avaliando que já possui votos suficientes para a aprovação. Essa etapa final é crucial e definirá o futuro do indicado na mais alta corte do país, conforme apurado por veículos de imprensa.
Expectativa de aprovação e possíveis desafios na sabatina
O relator da indicação de Messias na CCJ, senador Weverton Rocha (PDT-MA), antecipa uma sabatina “dura”, mas se mostra confiante na aprovação. O governo, por sua vez, calcula entre 48 e 52 votos favoráveis dos 81 senadores para a aprovação no plenário. Aliados da base governista também se reuniram e estimam um placar de 16 votos a 10 na CCJ. A oposição, contudo, ainda vislumbra a possibilidade de barrar a indicação, estimando ter ao menos 30 votos contrários.
Atraso na indicação e a relação com o Senado
O processo de indicação de Jorge Messias ao STF foi marcado por um atraso de mais de quatro meses na formalização junto ao Senado. Essa demora ocorreu, segundo informações, por conta de tensões envolvendo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que esperava a indicação de outro nome. A escolha por Messias e a quebra de um gesto tradicional de “cordialidade”, segundo relatos, irritou Alcolumbre. A formalização só ocorreu em 1º de abril, após Lula ter escolhido o nome em 20 de novembro do ano anterior. Essa situação gerou receio no Planalto quanto à aprovação, mas a situação parece ter se acalmado.
Trunfos de Jorge Messias e a importância da interlocução
Além do histórico favorável de aprovação de indicados ao STF, o governo aposta na capacidade de interlocução de Jorge Messias com o público evangélico. Sendo um nome representativo da Igreja Batista, essa conexão é vista como um diferencial, não apenas para a aprovação no Senado, mas também de olho nas eleições presidenciais de 2026. O ministro André Mendonça, indicado por Jair Bolsonaro, já demonstrou apoio a Messias, tendo-o recebido em um culto e expressado o desejo de atuar ao lado dele no STF.
Postura conciliadora e sabatinas longas
Durante a sabatina, Jorge Messias deve adotar uma postura conciliadora, buscando demonstrar seu conhecimento técnico e se apresentar como um ponto de equilíbrio entre os poderes Legislativo e Judiciário. Historicamente, as sabatinas de indicados ao STF têm sido longas. Cristiano Zanin, por exemplo, foi sabatinado por 7h30 em junho de 2023, e Flávio Dino, por 10h39 em dezembro do mesmo ano. A sabatina mais longa registrada foi a de Edson Fachin, em 2015, com quase 12 horas de duração. Espera-se que a sabatina de Messias também demande tempo considerável para que suas qualificações sejam plenamente avaliadas pelos senadores.