As cidades-sede da Copa do Mundo 2026 relataram atrasos preocupantes nos preparativos de segurança, a pouco mais de 100 dias do início do torneio. A falta de recursos e de alinhamento com o governo federal está pressionando cronogramas e infraestrutura.
Organizadores alertam que decisões não tomadas a tempo podem provocar cancelamentos de eventos paralelos e reduzir a capacidade de policiamento nas cidades. Há risco real de impactos em grandes locais e festivais do evento.
As preocupações foram apresentadas em depoimentos ao Congresso, durante audiência perante o Comitê de Segurança Interna da Câmara dos Representantes, conforme depoimento prestado ao Comitê de Segurança Interna da Câmara dos Representantes.
Congelamento de verbas da FEMA e programas lançados
A paralisação do governo federal levou a FEMA a anunciar que reduziria suas operações ao “mínimo essencial para salvar vidas”, o que incluiu o congelamento de fundos destinados à segurança do torneio. Entre os recursos bloqueados estão quase US$ 900 milhões prometidos às cidades-sede.
Em novembro, a FEMA lançou o Programa de Subvenções para a Copa do Mundo da FIFA, liberando US$ 625 milhões para permitir “realizar as extensas atividades de segurança necessárias para proteger jogadores, funcionários, espectadores, instalações e infraestrutura crítica em todas as cidades-sede, fortalecendo-as contra possíveis ataques terroristas”. Em dezembro, a agência concedeu mais US$ 250 milhões aos 11 estados anfitriões, para ajudar a “fortalecer sua capacidade de detectar, identificar, rastrear ou mitigar sistemas de aeronaves não tripuladas (drones)”.
Alertas de autoridades locais e citações
Mike Sena, presidente da National Fusion Center Association, sintetizou a frustração técnica e temporal em um depoimento, “Acho que se tivéssemos tido essa conversa há dois anos, estaríamos em melhor situação”, e acrescentou, “mas hoje, à medida que nos aproximamos desses jogos, estamos longe da capacidade que precisamos.”
Ray Martinez, diretor de operações do Comitê Organizador da Copa do Mundo de Miami, deu um exemplo de risco operacional e financeiro ao afirmar, “Estamos a 107 dias do torneio, mas, mais importante, estamos a cerca de 70 dias do início da construção do Fan Fest”, e alertou que, sem receber os 70 milhões de dólares solicitados até o final de março, começarão a cancelar eventos, começando pelo Fan Fest. Ele acrescentou, “Essas decisões precisam ser tomadas”, “Sem receber esse dinheiro, as consequências para nosso planejamento e coordenação podem ser catastróficas.”
Impacto específico nas cidades e capacidade de policiamento
Autoridades de Foxboro, Massachusetts, indicaram que podem desistir de sediar as sete partidas programadas para o Gillette Stadium, caso o financiamento não seja liberado. Em Kansas City, o vice-chefe de polícia Joseph Mabin afirmou que o departamento não possui atualmente pessoal suficiente para atender a todas as necessidades de segurança da cidade, e que o financiamento é crucial para contratar mais funcionários.
Esses exemplos mostram que a falta de recursos afeta tanto eventos públicos, como o Fan Fest, quanto a capacidade operacional das polícias locais. A segurança da Copa do Mundo depende, segundo os depoimentos, de decisões rápidas sobre verbas e maior coordenação entre níveis de governo.
Prazos, calendário e cidades-sede nos EUA
A Copa do Mundo, coorganizada pelos Estados Unidos, México e Canadá, começa oficialmente em 11 de junho, com México e África do Sul na Cidade do México, e partidas iniciais também perto de Guadalajara. A primeira partida a ser disputada nos EUA será em 12 de junho, com os Estados Unidos enfrentando o Paraguai em Los Angeles.
As 11 cidades anfitriãs nos Estados Unidos são Atlanta, Boston, Dallas, Houston, Kansas City, Los Angeles, Miami, Nova York/Nova Jersey, Filadélfia, Área da Baía de São Francisco e Seattle. Com prazos curtos, todas elas dependem de recursos federais e de coordenação para garantir a segurança da Copa do Mundo e o bom funcionamento dos eventos paralelos.