A questão territorial, com a Rússia ocupando cerca de 20 a 25% do território ucraniano, aparece como o principal obstáculo para encerrar o conflito, junto com dúvidas sobre garantias de segurança
A guerra entre Rússia e Ucrânia completou quatro anos, tornando-se o conflito mais longo na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
O desgaste entre os ucranianos é visível, e a combinação de territórios ocupados e receios sobre segurança complica tratativas de paz.
No conjunto das análises, especialistas apontam dois dilemas centrais que impedem um acordo duradouro, conforme informação divulgada pela CNN Brasil.
Por que a questão territorial trava negociações
Para analistas, a disputa sobre terras é quase intransponível no curto prazo, porque envolve perda de soberania e legitimidade, e porque nenhum lado quer ceder as áreas conquistadas.
Segundo a análise, a Rússia ocupa atualmente cerca de 20 a 25% do território ucraniano, e essa realidade territorial modifica profundamente o cálculo político e militar de Kiev e de Moscou.
Como afirmou a analista, “A cessão territorial é um grande X da questão, é o que impediu várias vezes as negociações de avançarem”, frase que resume a dificuldade em encontrar um ponto de equilíbrio.
Garantias de segurança, medo da Otan e vulnerabilidade
Além do território, há um impasse sobre as garantias de segurança que cada lado exigiria para encerrar a guerra, uma questão cheia de desconfianças e interesses contrapostos.
Do lado russo, há temor quanto à aproximação da Otan das suas fronteiras, já os ucranianos receiam ficar vulneráveis a novas incursões se perderem o apoio ocidental.
Sobre essa combinação de fatores, a analista pontuou, “É um dilema de confiança, de mediação, de moderação e é um dilema sobre interesses objetivos que ainda não puderam ser conjugados”.
Fadiga, apoio internacional e cenários possíveis
O contexto internacional também pesa, tanto pela falta de consenso quanto pela possível mudança de prioridades entre aliados, como evidenciado pela presença reduzida de chefes de Estado em atos que marcaram os quatro anos de guerra.
O presidente Zelensky tem insistido para que o presidente americano visite a Ucrânia, na tentativa de gerar um comprometimento maior dos Estados Unidos, enquanto a atual administração americana adota uma postura mais transacional e avalia constantemente o custo e o benefício do apoio.
Relatos de jornalistas que estiveram no país, como Clarissa Ward, indicam um aumento do cansaço, com menção a “a menor energia” e ao maior desgaste entre a população, sinais de que a resistência pode ficar mais difícil se o apoio externo diminuir.
O que isso significa para o fim da guerra
Em suma, a questão territorial e as garantias de segurança formam um bloqueio duplo: sem movimento em território ou sem soluções de segurança aceitáveis para as partes, torna-se improvável um cessar-fogo duradouro.
Qualquer caminho para a paz exigirá negociações complexas, garantias verificáveis e equilíbrio entre as demandas de soberania e preocupações estratégicas, elementos que ainda não foram conciliados entre os atores envolvidos.