Na Bolsa de Nova York, o café arábica registrou queda no contrato de maio, refletindo ajuste de preços após alta de 2025, retorno das chuvas e maior oferta, segundo analistas
O contrato futuro para o café arábica com entrega em maio teve queda na sessão mais recente, em reação a fatores de oferta e ao movimento de fundos no mercado.
Analistas apontam que a forte alta registrada após a geada no Sul de Minas em 2025 já dá lugar a um ajuste, à medida que a safra e os estoques mundiais mostram sinais de recuperação.
No curto prazo, a entrada de conilon e volumes em entressafra no Brasil trazem mais oferta, pressionando as cotações e mudando as expectativas dos investidores, conforme informação divulgada pela CNN Brasil.
Por que o preço do café arábica caiu
Segundo a reportagem, Na Bolsa de Nova York, o contrato futuro para o café arábica com entrega para maio teve um recuo de 2,68% na sessão desta segunda-feira (23) e ficou cotado em US$ US$ 2.7805 a libra-peso. O analista Marcelo Moreira, da Archer Consulting, explica que o mercado passa por um momento de ajuste depois da forte alta registrada em agosto do ano passado, quando uma geada no Sul de Minas elevou as cotações com medo de quebra na safra.
Moreira lembra que as chuvas voltaram à normalidade e que a safra brasileira 2026/27 está sendo estimada entre 66 e 75 milhões de sacas, dados que reduzem o temor de escassez e aumentam a oferta disponível para o mercado.
Ele observa ainda que os fundos de investimento, que antes apostavam na alta, reduziram quase totalmente as posições compradas e podem já estar apostando na queda, o que amplia a pressão sobre o preço do café arábica.
Perspectiva de preços e estoques
Com a nova oferta e a expectativa de estoques globais voltando a crescer nos próximos anos, Moreira avalia que essa combinação pressiona as cotações. Ele afirmou que, Por isso, o mercado pode buscar a faixa de US$ 2.4000 a libra-peso, patamar próximo ao custo de produção no Brasil, informou à CNN Brasil.
Além disso, o país ainda tem entre 20 e 24 milhões de sacas para abastecer o mercado durante a entressafra, e a nova safra de conilon começa a chegar nas próximas semanas, principalmente por Rondônia.
Impacto para produtores e investidores
A queda do preço futuro do café arábica tende a pressionar a renda dos produtores que têm custo próximo à faixa mencionada, ao mesmo tempo em que cria oportunidades para compradores e para hedgers que buscam proteção.
O movimento dos fundos reduz posições compradas e pode acelerar a desvalorização, enquanto produtores e cooperativas avaliam estratégias para reduzir risco, como vendas antecipadas e contratos de hedge.
Panorama de outros produtos agrícolas na sessão
O recuo do café arábica ocorreu em um dia de quedas para diferentes commodities na Bolsa de Nova York. No açúcar, os vencimentos para maio encerraram o dia precificados em US$ 14,00 centavos por libra-peso e com alta de 0,94%, mas o mercado segue pressionado por oferta elevada e demanda enfraquecida, segundo Marcelo Filho, analista da StoneX.
Os preços do cacau finalizaram a sessão com baixa, com o contrato para entrega em maio cotado em US$ 3.103 a tonelada e baixa de 2,36%, de acordo com o Barchart. Já o suco de laranja foi negociado a US$ 1.655,00 por tonelada, com baixa de 2,62%.
Para o algodão, o contrato com vencimento em maio teve queda de 0,75%, cotado a US$ 65,14 centavos a libra-peso. O analista Jack Scoville, da Price Future, destacou preocupações com a demanda futura frente à fragilidade da economia mundial e monitoramento da produção em países como Índia e Brasil.
No conjunto, a sessão mostra um cenário em que oferta crescente, estoques e movimentos especulativos definem direção dos preços, com destaque para a correção do preço futuro do café arábica.