Professora da Unicamp presa por furtar vírus: entenda a cronologia do caso e as consequências
A Polícia Federal prendeu em flagrante a professora Soledad Palameta Miller, da Unicamp, sob suspeita de furtar material biológico de um laboratório de alta contenção. O caso, que resultou em uma investigação por crimes contra a biossegurança e o patrimônio público, revelou o desvio de amostras virais e o descarte irregular de frascos em lixeiras comuns da instituição.
A dinâmica do crime, a prisão da docente e as medidas judiciais impostas agora são detalhadas. A Unicamp informou ter instaurado uma investigação interna e que colabora integralmente com as autoridades no esclarecimento dos fatos. Os crimes investigados incluem furto qualificado, fraude processual e transporte irregular de organismo geneticamente modificado.
Conforme informações divulgadas, o desaparecimento das amostras foi detectado na manhã de 13 de fevereiro, no Laboratório de Virologia Aplicada. O material estava em uma área de nível NB-3, um ambiente de alta segurança biológica sujeito a protocolos rigorosos de acesso. A professora Soledad Miller, que é docente da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA), não possuía acesso direto ao local do furto, segundo o inquérito policial.
Dinâmica do Furto e Descarte Irregular
Para acessar os laboratórios restritos, a professora teria utilizado a influência de seu cargo para solicitar que uma aluna de mestrado abrisse as portas das instalações. As amostras subtraídas foram transferidas para freezers de outros pesquisadores sem autorização prévia. Durante as buscas, a perícia localizou frascos abertos e manipulados, além de uma grande quantidade de material descartado em lixeiras comuns no Laboratório de Cultura de Células.
A Justiça Federal considerou que tal conduta configurou exposição da saúde de terceiros a perigo direto. A gravidade do ato levantou preocupações sobre a segurança biológica dentro da renomada universidade paulista.
Prisão em Flagrante e Medidas Cautelares
A prisão em flagrante de Soledad Miller ocorreu na segunda-feira, 23 de março, enquanto ela conduzia seu veículo em uma via pública de Campinas. No dia seguinte, 24 de março, após audiência de custódia, a Justiça Federal concedeu liberdade provisória à professora. A decisão judicial impôs medidas cautelares rigorosas para garantir o andamento da investigação.
Entre as medidas estabelecidas estão o pagamento de fiança no valor de dois salários mínimos, a proibição total de acesso aos laboratórios da Unicamp, e a proibição de deixar o país sem autorização prévia, com a entrega do passaporte. Além disso, a professora deve comparecer mensalmente à 9ª Vara Federal de Campinas.
Perfil da Investigada e Desdobramentos
Soledad Palameta Miller, de 36 anos, ingressou como docente na Unicamp em agosto de 2025. Ela possui doutorado em Ciências e detém uma patente voltada a composições terapêuticas de partículas imunomoduladoras semelhantes a vírus. Este detalhe adiciona uma camada de complexidade à investigação sobre o uso indevido do material biológico furtado.
A Unicamp reafirmou seu compromisso com a transparência e a colaboração total com as autoridades. A universidade busca esclarecer todos os fatos e garantir a segurança de seus laboratórios e da comunidade acadêmica. A investigação segue em curso, com foco nos crimes de furto qualificado, fraude processual e transporte irregular de organismos geneticamente modificados.