A Justiça autorizou que os policiais militares acusados de matar o estudante de medicina prestem depoimento em júri popular, etapa em que serão avaliadas as provas e as qualificadoras do crime.
A decisão marca avanço no processo sobre a morte de Marco Aurélio Cardenas Acosta, ocorrida em 20 de novembro de 2024, na Vila Mariana, zona sul de São Paulo.
O caso ganhou repercussão após familiares e colegas pedirem apuração rigorosa sobre as circunstâncias da abordagem policial, conforme informação divulgada pela CNN Brasil.
O que consta no boletim de ocorrência e na denúncia
No boletim de ocorrência, os policiais Guilherme Augusto Macedo e Bruno Carvalho do Prado relataram que o estudante estava “bastante alterado, agressivo” e que teria resistido à abordagem, entrando em confronto físico com a equipe, segundo registro oficial.
A sentença que determinou o seguimento do processo aponta indícios de que o crime foi cometido “por motivo torpe e com recurso que dificultou a defesa da vítima”, e enquadra os réus por homicídio qualificado.
Decisão judicial e direito de recorrer em liberdade
A juíza Luiza Torggler Silva autorizou que o processo vá a júri popular e, ao mesmo tempo, concedeu aos acusados o direito de recorrer em liberdade, por entender que não estão presentes os fundamentos para a decretação de prisão cautelar nesta fase.
O entendimento da magistrada abre espaço para que o caso seja julgado com os réus respondendo fora da prisão, enquanto a investigação e a instrução processual avançam.
Quem era a vítima e repercussão
Marco Aurélio Cardenas Acosta tinha 22 anos e era estudante de medicina na universidade Anhembi Morumbi. Nas redes sociais, ele se apresentava como mestre de cerimônia e compositor, com o nome artístico MC Boy da VM, e era conhecido pelos colegas como “Bilau”.
Em dezembro, Marco Aurélio recebeu um diploma póstumo de formação, entregue ao pai, Júlio César Navarro, durante a Colação de Grau no Edifício Bunkyo, na capital paulista, na última quinta-feira (27). O pai definiu o momento como “um sonho lindo dentro de uma vida de pesadelo”.
Próximos passos do processo
Com a aceitação do júri popular, o caso seguirá para fase de instrução e, posteriormente, para a sessão de júri, onde serão analisadas as provas e ouvidas as testemunhas, incluindo os próprios policiais acusados.
A família mantém pedidos por transparência e por apuração completa dos fatos, enquanto a Justiça procede com os trâmites previstos no código penal e no processo penal brasileiro.