Plano Safra 27/28 deve preservar piso recorde, com possível acréscimo marginal, diante de juros elevados, pressão por crédito e ambiente eleitoral sensível
A equipe técnica envolvida na formulação do Plano Safra 27/28 avalia que dificilmente o valor global do programa será menor no ciclo 2027/28, e que a orientação é preservar o piso recorde, mesmo que o aumento seja marginal.
O argumento central é que reduzir o montante seria politicamente delicado e economicamente contraditório em um cenário de juros ainda elevados, produtores pressionados por endividamento, e bancos mais criteriosos na concessão de crédito.
Ao mesmo tempo, o ambiente eleitoral impõe cautela, portanto não há disposição para uma expansão agressiva que pressione o fiscal, mas também não há espaço político para sinalizar retração, conforme informação divulgada por fontes ouvidas pela reportagem.
Por que o piso recorde tende a ser mantido
Técnicos dizem que manter ou aumentar marginalmente o patamar do Plano Safra 27/28 responde à combinação entre custos do crédito e necessidade de sustentar a oferta de financiamento ao produtor.
A taxa final do crédito rural depende do volume de recursos destinados à equalização e do tamanho da carteira, e com juros mais altos o custo de sustentar subsídios ficou mais sensível.
Como será o processo de construção do plano
O processo formal começa entre fevereiro e março, quando entidades e frentes parlamentares intensificam a entrega de propostas aos ministérios setoriais, e depois as demandas chegam à equipe econômica para calibrar volume, custo de equalização e fontes de funding.
Segundo as fontes, ainda não há definição fechada, mas a tendência é repetir, no mínimo, o patamar atual do programa e avaliar ajustes pontuais voltados à execução e à composição entre custeio, comercialização e investimento.
Números do ciclo anterior e pressões do setor
O Plano Safra 2025/26 foi anunciado com R$ 516,2 bilhões, acima dos R$ 508,6 bilhões do ciclo anterior. O aumento ocorreu principalmente em custeio e comercialização, enquanto as linhas de investimento recuaram, refletindo o custo do dinheiro e o menor apetite por financiamentos estruturantes de longo prazo.
O setor produtivo chegou a solicitar R$ 599 bilhões para o Plano Safra 2025/26, via IPA (Instituto Pensar Agro) e entidades ligadas ao cooperativismo, com pedidos por maior equalização de juros, reforço do seguro rural e ampliação das exigibilidades sobre LCAs.
O governo, à época, anunciou volume inferior ao pleito, alegando limites fiscais e a necessidade de equilíbrio entre política agrícola e metas fiscais, e para o Plano Safra 27/28 a avaliação interna segue ponderando esses mesmos trade-offs.
Riscos e foco na execução
Além do número nominal, a preocupação central é a execução do programa, pois o efeito sobre a taxa efetiva ao agricultor depende da equalização paga e da capacidade operacional dos agentes financeiros.
No cenário eleitoral, a estratégia apontada pelas fontes é evitar cortes visíveis no Plano Safra 27/28, preservar o piso recorde e calibrar medidas técnicas para não pressionar o equilíbrio fiscal, mantendo atenção à sustentabilidade do crédito rural.