Abrindo conteúdo
Pular para o conteúdo

PL Antifacção: Câmara destina bens ao FNSP e, segundo ADPF, texto retira recursos da Polícia Federal, que pede envio imediato do FUNCOC ao presidente

Ads

PL Antifacção aprovado pela Câmara prevê destinação de bens ao FNSP em vez do FUNCOC, e, segundo a ADPF, isso reduz recursos permanentes da Polícia Federal e compromete investigações

A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal, a ADPF, manifestou nesta quarta-feira decepção com o texto do PL Antifacção aprovado pela Câmara dos Deputados.

O projeto deixou de fora a criação do FUNCOC, Fundo Nacional de Combate às Organizações Criminosas, promessa do Ministério da Justiça que garantiria que valores confiscados retornassem diretamente à Polícia Federal.

Em vez disso, o texto prevê que bens e recursos apreendidos sejam destinados ao FNSP, fundo cujos recursos são obrigatoriamente partilhados com os estados, e, segundo a ADPF, a mudança limita financiamento da PF, conforme informação divulgada pela ADPF (Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal).

Por que a ADPF diz que o projeto retira recursos da Polícia Federal

A ADPF afirmou com preocupação que “A ADPF considera grave a ausência de previsão de destinação direta de recursos à Polícia Federal, limitando-se o projeto a mencionar o Fundo Nacional de Segurança Pública, que não constitui fonte permanente de financiamento para a instituição. Na prática, o projeto retira recursos da Polícia Federal e não garante novas fontes de financiamento”, em comunicado oficial.

Ferramentas de investigação suprimidas pela Câmara

Além da questão financeira, os delegados criticaram a retirada de instrumentos investigativos que haviam sido incluídos pelo Senado. Entre os pontos suprimidos estão o acesso facilitado a dados cadastrais, a captação ambiental unilateral, a ampliação do prazo de guarda de registros e a geolocalização em emergências, medidas que, segundo a ADPF, poderiam agilizar apurações contra organizações criminosas.

Risco à estratégia de asfixia patrimonial e pedido ao presidente

Os delegados também chamaram atenção para a nova ação autônoma de perdimento de bens, considerando que a mudança pode gerar insegurança jurídica e fragilizar a estratégia de retirada de recursos do crime organizado.

O documento da ADPF observa que a estratégia de asfixia patrimonial foi eficiente nos últimos anos, citando que essa prática “retirou R$ 10 bilhões das organizações criminosas apenas no último ano”. A entidade alertou que “Ao instituir a ação autônoma de perdimento de bens sem caráter subsidiário, o texto coloca sob risco instrumento já utilizado com reconhecida eficiência pela Polícia Federal na descapitalização do crime organizado”, concluiu o documento.

Por fim, a ADPF solicitou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que encaminhe, de forma imediata, o projeto de lei que cria o FUNCOC, visando garantir uma fonte direta de recursos à Polícia Federal e preservar instrumentos que, na avaliação da associação, são essenciais para o combate ao crime organizado.