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PIB 2025: mercado, Banco Central e Ministério da Fazenda projetam desaceleração para cerca de 2,3% a 2,5% com Selic em 15% e juros pesando na atividade

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PIB 2025 pode mostrar perda de fôlego ante 2024, com projeções entre 2,26% e 2,5%, e impacto do ciclo de juros altos sobre consumo e investimento, segundo autoridades

O resultado do PIB 2025 será divulgado nesta terça-feira, mas as estimativas já indicam desaceleração em relação a 2024, quando a economia cresceu 3,4%.

As diferentes projeções apontam para um crescimento mais contido, e analistas vêm destacando o peso dos juros em dois dígitos como fator central para a perda de ritmo da atividade.

As expectativas citadas no texto abaixo são de instituições como o Banco Central, o Ministério da Fazenda, a CNI e o Boletim Focus, conforme informações do Banco Central, do Ministério da Fazenda, da CNI e do Boletim Focus.

Projeções nacionais e prévia do Banco Central

O IBC-Br (Índice de Atividade Econômica) do Banco Central, considerado a “prévia” do PIB, registrou expansão de 2,5% em 2025 na comparação com o ano anterior. O dado foi divulgado em 19 de fevereiro. Essa leitura fornece um indicativo de que o crescimento do ano deve ficar abaixo do avanço de 2024.

Na comparação entre instituições, a expectativa de 2,5% também aparece na projeção da CNI. Já os economistas consultados pelo Banco Central no Boletim Focus estimam que a economia brasileira avançou 2,26%.

O Ministério da Fazenda, por sua vez, prevê que o PIB de 2025 cresça 2,3% em 2025, e atribui a desaceleração principalmente à manutenção da política monetária em patamar restritivo.

Desempenho por setor

As projeções por setor mostram recuperação mais forte do agro, alguma reação na indústria e desaceleração dos serviços. Veja as projeções de 2025, conforme divulgado:

Agropecuária: 11,3%; Indústria: 1,7%; Serviços: 1,7%.

O Banco Central apresenta expectativa semelhante por setor, com números levemente distintos para a indústria, em sua projeção:

Agropecuária: 11%; Indústria:1,6%; Serviços: 1,7%.

Juros, Selic e o efeito sobre o crescimento

A principal explicação para a perda de fôlego são os juros elevados, que pressionaram consumo e investimento ao longo do período recente.

O Copom (Comitê de Política Monetária) do BC mantêm a Selic em 15% desde junho do ano passado, o ponto final de um ciclo de alta que iniciou em setembro de 2024, com a taxa básica partindo de 10,5%. A taxa alta vem freando a atividade, segundo analistas e autoridades.

Apesar de sinais de que a pressão pode arrefecer a partir de março, com início de distensão indicado pelo colegiado, o mercado ainda projeta cenário mais lento para o retorno dos juros à normalidade. Segundo o Boletim Focus, o mercado ainda prevê que os juros vão encerrar o ano a 12,13%, e, por ora, vê a Selic retornando ao dígito único apenas em 2029.

O que observar na divulgação

Ao sair o número oficial do PIB 2025, o mercado vai comparar o resultado às prévias e às projeções acima, observando especialmente a reação dos serviços e da indústria frente ao forte desempenho do agro.

Se o dado confirmar a faixa de 2,3% a 2,5%, a leitura será de desaceleração em relação a 2024, e a atenção se voltará para sinais de relaxamento da política monetária e para os próximos passos do Copom.