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Passagens Aéreas: Alta Inevitável? Petrobras Aumenta Combustível e Especialistas Alertam para Novos Preços

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Preços de passagens aéreas devem subir após Petrobras anunciar aumento de 55% no querosene de aviação, impactando voos e conectividade.

O consumidor que planeja viajar de avião nos próximos meses pode se preparar para um cenário de preços mais altos. Especialistas apontam que o recente reajuste de 55% no querosene de aviação (QAV) pela Petrobras, em decorrência do conflito no Oriente Médio, tornará a alta nas passagens aéreas inevitável.

Este aumento se soma a uma tendência de encarecimento já observada, pressionando as margens das companhias aéreas, que, segundo analistas, não terão outra opção senão repassar esses custos adicionais diretamente aos passageiros.

Além do impacto direto no valor das tarifas, a redução na oferta de voos para destinos menos lucrativos também pode se intensificar, diminuindo a concorrência e elevando ainda mais os custos. As informações são de especialistas ouvidos pelo CNN Money, que ressaltam a dificuldade das empresas em absorver esses choques de custo.

Petrobras oferece parcelamento para mitigar impacto imediato

Em uma tentativa de suavizar o impacto inicial sobre as companhias aéreas, a Petrobras anunciou um mecanismo que permite o parcelamento da diferença do reajuste do QAV em até seis vezes, com pagamentos a partir de julho. A medida busca preservar a demanda por voos.

Com essa iniciativa, as distribuidoras que atendem à aviação comercial terão um reajuste efetivo de 18% no preço do QAV em abril. Tatiana Pinheiro, consultora econômica e pesquisadora da FGV-EESP, explica que, caso haja grande adesão das distribuidoras a essa proposta, o repasse total ao consumidor pode ter uma transmissão mais alongada ao longo dos próximos meses.

QAV representa quase metade dos custos operacionais das companhias

A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) alertou que, com os recentes aumentos, o QAV agora representa cerca de 45% dos custos operacionais das companhias aéreas. Essa alta expressiva, somando os reajustes de março e abril, tem consequências severas para a expansão de rotas e a oferta de serviços.

A entidade também ressalta que essa situação pode restringir a conectividade do país e a democratização do transporte aéreo. As principais empresas do setor, como Azul, Latam e Gol, manifestaram-se através da Abear.

Demanda aquecida já pressionava preços antes do reajuste

O aumento nas passagens aéreas já era uma realidade antes mesmo do anúncio da Petrobras. A prévia da inflação de março registrou uma alta de 5,94% nos bilhetes aéreos, sendo o principal responsável pelo avanço do IPCA-15. Tatiana Pinheiro, da FGV-EESP, aponta a demanda aquecida no setor como um dos principais vetores dessa pressão.

Histórico de alta e o impacto de conflitos internacionais

Fontes do setor lembram que, em 2022, após a invasão da Ucrânia pela Rússia, o preço do QAV chegou a patamares semelhantes aos atuais, e as passagens aéreas acumularam mais de 100% de alta. Vitor Sousa, analista de ações da Genial, avalia que o impacto direto na aviação civil é o encarecimento das passagens e a possível redução ou encerramento de rotas menos lucrativas.

O preço do litro do QAV da Petrobras em 2022 foi de R$ 5,08, valor já superado pela média de R$ 5,55 após o recente reajuste. A expectativa é que a atual instabilidade geopolítica continue a influenciar os custos e, consequentemente, os preços das passagens aéreas.