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Páscoa: Judaísmo, Cristianismo Ortodoxo, Espiritismo e Islamismo celebram a data com significados e rituais distintos

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A Páscoa vai além da tradição cristã, unindo diferentes crenças em rituais de reflexão e renovação espiritual

O domingo de Páscoa é um marco fundamental na liturgia cristã, celebrando a morte e ressurreição de Jesus Cristo. Este período festivo, que se estende por 50 dias até a solenidade de Pentecostes, tem raízes profundas na tradição judaica, incorporando simbolismos como o do cordeiro. Outras religiões também veem a Páscoa como um momento de introspecção, renovação e celebração da vida sobre a morte.

Seja através da purificação, da caridade ou do jejum, a Páscoa une diversas crenças em um propósito comum de transformação espiritual e recomeço. A forma como cada religião aborda este período revela a riqueza e a diversidade das práticas espirituais em todo o mundo, mostrando que a busca por um novo ciclo e esperança é universal.

Conforme informações divulgadas, a Páscoa cristã se origina no judaísmo, e a celebração judaica relembra a libertação do povo hebreu da escravidão no Egito. Este contexto histórico e religioso molda as diferentes formas de vivenciar a Páscoa, cada uma com seus próprios rituais e significados profundos.

Pessach: A Páscoa Judaica e a Memória da Libertação

A Páscoa cristã tem suas origens na tradição judaica, onde a festa é chamada de Pessach. Em hebraico, Pessach significa “passagem”, remetendo à travessia do povo judeu pelo Mar Vermelho e à sua libertação da escravidão no Egito. A Bíblia, em Êxodo, capítulo 12, descreve a Páscoa judaica como uma celebração familiar de gratidão a Deus pela saída da escravidão.

Fernando Lottenberg, ex-presidente da Confederação Israelita do Brasil (Conib), explica que o objetivo é convidar os fiéis a se colocarem no lugar dos antepassados, compreendendo suas vivências e escolhas. Assim, o judaísmo ancora sua tradição na memória do passado e na sua relevância contemporânea, enfatizando a passagem “de um modo de vida a outro, do estado de escravidão para a responsabilidade de sermos livres”.

Igreja Ortodoxa: Celebração com Calendário Distinto

As igrejas ortodoxas celebram a Páscoa seguindo o calendário Juliano, que difere do Gregoriano adotado pela Igreja Católica desde 1582. A data da Páscoa ortodoxa é determinada pela lua cheia do equinócio da primavera no Oriente, após 21 de março, garantindo que ela ocorra sempre após a Páscoa judaica. Essa divergência de datas remonta a decisões tomadas em concílios cristãos nos primeiros séculos.

Espiritismo: Vivência da Mensagem de Jesus no Cotidiano

A doutrina espírita não comemora a Páscoa com rituais específicos, mas valoriza e respeita a data, compartilhando seus valores e simbolismos. Os espíritas buscam vivenciar a mensagem de Jesus diariamente, integrando os princípios de amor e renovação em suas vidas ao longo de todo o ano. A doutrina ressalta a importância de viver “pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou a si mesmo por mim”, como citado em Gálatas.

Islamismo: O Ramadã como Mês de Purificação

No Islamismo, a Páscoa não é celebrada da mesma forma que no catolicismo. Os muçulmanos reconhecem Jesus como um profeta importante, citado no Alcorão, mas sua fé é estritamente monoteísta, centrada em um único Deus. O mês sagrado do Ramadã, nono mês do calendário lunar, é o período de maior significado espiritual, onde os fiéis praticam o jejum do amanhecer ao pôr do sol, abstendo-se de comer, beber e outras práticas, como forma de purificação pessoal e busca por paciência e compaixão.

Candomblé e Umbanda: O Lorogun e o Novo Ciclo Litúrgico

Religiões de matriz africana como o Candomblé e a Umbanda também vivenciam a Semana Santa de maneira distinta. Durante a quaresma, alguns terreiros podem interromper suas atividades habituais para observar o Lorogun, um período de descanso coletivo associado a uma batalha espiritual dos Orixás contra o mal. Ao final deste ciclo, inicia-se o novo ano litúrgico dessas tradições.