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Os Testamentos: Roteirista Revela Necessidade de Mudar Perspectiva para Entender Nova Geração em Gilead

Nova série “Os Testamentos” desafia o público a enxergar Gilead por um ângulo inédito, focando em nativas do regime.

A aclamada expansão do universo de “The Handmaid’s Tale”, intitulada “Os Testamentos: Das Filhas de Gilead”, estreou no Disney+ com a proposta ousada de apresentar a sociedade distópica de Gilead sob uma nova ótica. A série mergulha na vida de uma nova geração, cujas experiências e visões de mundo moldam a narrativa de forma surpreendente.

Em entrevista exclusiva à CNN, Bruce Miller, roteirista e criador da série, e Warren Littlefield, produtor executivo, detalharam a estratégia por trás dessa mudança de perspectiva. O objetivo é explorar a derrocada de Gilead através dos olhos de jovens que nasceram e cresceram dentro de suas rígidas fronteiras.

A trama acompanha Agnes Mackenzie e Daisy, duas jovens em processo de amadurecimento em meio à nova era de Gilead. Enquanto Agnes demonstra obediência e devoção ao regime, Daisy é uma recém-convertida vinda de fora. Ambas frequentam a brutal escola para futuras Esposas e desenvolvem um vínculo que desafia suas realidades, futuros e passados, conforme divulgado pela CNN.

A Necessidade de “Mudar a Perspectiva”

Bruce Miller enfatizou a importância de alterar o ponto de vista para compreender a essência de “Os Testamentos”. Ao contrário de June Osborne, personagem central de “The Handmaid’s Tale”, que foi arrancada de sua vida anterior, as novas protagonistas só conhecem Gilead. Essa diferença é crucial, pois elas não têm memórias de um mundo livre.

“Elas só têm memória de Gilead”, explicou Miller. Isso significa que, para elas, as regras opressoras do regime são a norma. Elas aprenderam não apenas a sobreviver, mas a prosperar dentro desse sistema, construindo amizades, desenvolvendo fé e encontrando formas de felicidade.

O roteirista acrescentou: “Como elas não apenas sobreviveram, mas prosperaram em Gilead e como isso vai ser tirado delas?”. Essa questão impulsiona a narrativa, explorando como a estrutura de poder de Gilead afeta aqueles que a internalizaram.

O Dilema da Individualidade em Gilead

A nova série aborda um dilema central para essas jovens: a percepção de que, para manter seu lugar em Gilead, elas precisam renunciar à própria individualidade. Inicialmente, elas se veem como figuras privilegiadas, prestes a “fazer algo incrível” pelo regime.

No entanto, a promessa de pertencimento logo se revela cruel, exigindo submissão total. A série expõe o momento em que essas jovens começam a questionar os sacrifícios impostos pela sociedade em que vivem.

Miller descreveu a perspectiva delas como fascinante, especialmente porque o público, em muitos momentos, está um passo à frente na compreensão do quão sombria e perigosa é a realidade de Gilead. “O ponto de vista dessas jovens — e também da Tia Lydia — é limitado, e isso torna a série interessante e assustadora”, concluiu o criador.

Protagonismo Além de Elisabeth Moss

A transição narrativa para “Os Testamentos” também significou seguir sem o protagonismo de Elisabeth Moss como June Osborne. Warren Littlefield reconheceu a forte ligação com a atriz, que permanece como produtora executiva, oferecendo uma “participação inestimável” nos bastidores.

Para manter a conexão com a série original, o retorno de Ann Dowd como a icônica Tia Lydia serve como uma ponte narrativa essencial. Paralelamente, o spin-off aposta em uma nova geração de talentos, incluindo Rowan Blanchard, Chase Infiniti e Lucy Halliday.

“Será que conseguiríamos satisfazer o público com as novas atrizes? Mas com elas, tudo pareceu se encaixar, estamos muito felizes com o resultado”, afirmou Littlefield, expressando satisfação com o elenco jovem.

Estrutura da Nova Série

“Os Testamentos” conta com um total de dez episódios, com lançamentos semanais às quartas-feiras. A série promete aprofundar a exploração do universo distópico, oferecendo novas camadas e complexidades à história de Gilead e suas consequências.

A produção busca expandir o alcance temático da franquia, introduzindo personagens e conflitos que refletem sobre a natureza do poder, da obediência e da resistência em sociedades totalitárias. O foco nas experiências de quem cresceu sob o regime abre um leque de possibilidades narrativas.

A série é uma continuação direta dos eventos de “The Handmaid’s Tale”, mas se concentra em eventos que ocorreram após o final da série original, explorando as ramificações das ações de June e a evolução do poder em Gilead.