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OAB Nacional Pede Fim de Decisões Individuais no Judiciário para Fortalecer Segurança Jurídica e Colegialidade

OAB Nacional propõe mudanças para limitar decisões monocráticas e fortalecer colegialidade nos tribunais

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Nacional apresentou nesta quarta-feira (14) um conjunto de medidas para aprimorar o Poder Judiciário. Uma das principais propostas visa estabelecer limites objetivos para decisões monocráticas, especialmente aquelas com grande impacto institucional.

O objetivo central da OAB é fortalecer a colegialidade nos Tribunais e ampliar a segurança jurídica, buscando maior previsibilidade na tramitação de processos e evitando a postergação indefinida de matérias relevantes.

Essas propostas, que surgem de circunstâncias pontuais mas representam bandeiras históricas da advocacia, foram elaboradas ao longo de meses e buscam aprimorar a atuação do Judiciário brasileiro, conforme divulgado pela entidade.

Redução do espaço para decisões individuais e regulamentação de pedidos de vista

A OAB defende que decisões individuais de natureza cautelar ou com efeitos institucionais relevantes sejam submetidas ao órgão colegiado competente em um prazo razoável. A entidade busca a redução do espaço reservado às decisões monocráticas, com foco especial em matérias de elevada relevância institucional, no controle concentrado de constitucionalidade e em decisões que interfiram diretamente na atuação dos demais Poderes.

Além disso, a proposta aprovada pelo Conselho Federal da OAB visa regulamentar os pedidos de vista, estabelecendo prazos definidos para a devolução dos processos e a retomada dos julgamentos. Essa disciplina objetiva é vista como fundamental para dar maior previsibilidade aos processos e evitar que a análise de temas importantes se arraste indefinidamente.

Propostas abrangentes para o aprimoramento do Judiciário

A limitação das decisões monocráticas é apenas uma parte de um pacote mais amplo de seis propostas aprovadas pela OAB relacionadas ao Judiciário. Entre as outras medidas defendidas pela entidade estão o estabelecimento de mandatos com prazo definido para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), a adoção de um Código de Conduta para os ministros da Corte e a criação de regras claras e proporcionais para situações de conflito de interesse.

A Ordem também propôs a criação de vagas no STF destinadas a indicações que não venham do presidente da República, inspirando-se no modelo plural do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O presidente nacional da OAB, Beto Simonetti, ressaltou que essas medidas não são reativas a episódios específicos, mas sim a consolidação de demandas históricas da advocacia.

Contexto de tensões e a importância da reforma

As iniciativas da OAB ocorrem em um momento de crescente tensão envolvendo o STF. Recentemente, sessões extraordinárias e pedidos de vista em casos de grande repercussão evidenciaram a necessidade de discussões sobre a agilidade e a colegialidade das decisões. Um exemplo citado é o caso envolvendo o antigo Banco Master, que permaneceu parado na presidência do STF por semanas após direcionamento para o gabinete do ministro Edson Fachin.

A OAB instituiu em abril uma comissão de mobilização para a reforma do Judiciário e, posteriormente, um comitê para consolidar propostas das seccionais. O objetivo é apresentar um texto final ao Congresso Nacional, fortalecendo a advocacia e a democracia brasileira por meio de um Poder Judiciário mais transparente e eficiente.