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Mulheres na Música: Apenas 10% dos Direitos Autorais em 2025, Estudo da UBC Revela Profunda Desigualdade

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Desigualdade de Gênero na Música: Um Retrato Alarmante dos Direitos Autorais e da Realidade Feminina

Um estudo recente da União Brasileira de Compositores (UBC) lança luz sobre a persistente disparidade de gênero na indústria musical brasileira. Os dados referentes a 2025 indicam que as mulheres receberam apenas 10% do total de direitos autorais, um reflexo contundente da desigualdade que ainda permeia o setor.

O levantamento, parte da edição 2026 do estudo “Por Elas Que Fazem Música”, analisou a presença feminina em diversas frentes da produção musical e os resultados são preocupantes. Apenas 11 mulheres figuram entre os 100 maiores arrecadadores de direitos autorais, embora a melhor colocação feminina tenha avançado ligeiramente.

Esses números, divulgados pela UBC, evidenciam a necessidade urgente de ações concretas para promover maior equidade e reconhecimento para as mulheres que dedicam seu talento à música, seja na composição, interpretação ou produção. Conforme informação divulgada pela UBC.

A Concentração de Renda e a Luta por Espaço

A análise da UBC detalha como a arrecadação de direitos autorais se distribui entre as mulheres. As compositoras concentraram a maior parte, com 73% do total recebido pelo público feminino. No entanto, outros papéis cruciais, como versionistas e produtoras fonográficas, receberam apenas 1% cada. As intérpretes somaram 23%, e as musicistas que executam as obras, apenas 2%.

Apesar dessa concentração, o estudo aponta um crescimento expressivo no cadastro de obras e fonogramas com participação feminina em 2025. O número de fonogramas registrados por produtoras subiu 13%, e obras cadastradas por autoras e versionistas tiveram alta de 12%. Para a UBC, isso sugere uma melhoria na presença feminina não só nos palcos, mas também nos bastidores da produção musical.

Aumento de Associadas Versus Rendimentos Desiguais

Um dado significativo revelado pela UBC é o aumento de 229% no número de mulheres associadas à entidade desde 2017. Esse salto expressivo demonstra o crescente interesse e a busca por reconhecimento na indústria musical. Contudo, a entidade ressalta que esse aumento na adesão ainda não se traduziu em rendimentos proporcionais para as mulheres.

A UBC enfatiza que, mesmo com avanços em algumas frentes, a presença feminina ainda precisa ser fortalecida em diversas áreas do setor musical. A representatividade e o reconhecimento financeiro são cruciais para a sustentabilidade e o desenvolvimento das carreiras femininas na música.

Desigualdades Regionais e os Desafios da Maternidade e Assédio

A concentração de mulheres na música ainda é maior nas regiões Sudeste (60%), Nordeste (17%) e Sul (11%), totalizando 88% das profissionais. As regiões Norte e Centro-Oeste apresentam os menores percentuais. A UBC destaca a necessidade de políticas e ações que incentivem o ingresso de mulheres de todas as regiões no setor musical, combatendo a desigualdade geográfica.

Um levantamento paralelo com mais de 280 mulheres revelou que 65% relataram ter sofrido assédio no meio profissional, sendo o sexual o mais comum (74%). Além disso, 35% informaram ter sofrido atos violentos, majoritariamente psicológicos (72%). A discriminação também é uma realidade, com 63% sendo ignoradas ou interrompidas em contextos profissionais e 59% ouvindo comentários que desqualificam sua competência.

A maternidade também impacta as carreiras, com 60% das entrevistadas com filhos sentindo interferência, como menos convites, oportunidades e viagens, além de comentários negativos sobre sua dedicação. Os ambientes mais associados a preconceitos incluem reuniões de negócio (45%) e bastidores de shows (31%).

Renda, Atuação e a Liderança Feminina na UBC

Os segmentos de rádio e shows foram os mais lucrativos para as mulheres, cada um representando 17% da arrecadação total feminina. O streaming de música aparece em seguida com 11%. O cinema, por outro lado, representa apenas 0,5% da renda feminina no setor.

Para 55% das entrevistadas, a música é a principal fonte de sustento, mas 29% não a têm como renda principal. A maioria se classifica como profissionais do mercado musical (45%), seguidas por compositoras (25%) e intérpretes (22%).

Desde 2023, Paula Lima, cantora e compositora, lidera a UBC, sendo a primeira mulher na presidência. A entidade reformulou seus quadros, com mulheres ocupando mais de 57% dos postos de liderança e gerenciando todas as filiais. “A representatividade transforma estruturas, mesmo as antigas e sólidas”, afirmou Paula Lima, destacando o impacto positivo da maior participação feminina em espaços de decisão.

Fernanda Takai, diretora da UBC, compara a desigualdade de gênero na música à história do país, onde mulheres são vistas como força de trabalho em alguns setores e filtradas por critérios masculinos em outros. Ela acredita na melhora da participação feminina, mas ressalta que é uma conquista de longo prazo, que exige educação, incentivo e visibilidade.

Mila Ventura, gerente de comunicação e marketing e coordenadora do projeto, reforça a importância do exemplo e da conscientização. A UBC promove ações práticas, como o SongCamp “Por Elas Que Fazem a Música”, para incentivar e apoiar mulheres na indústria musical.