Brasil reafirma compromisso com exportações de carne para a Europa, buscando atender novas exigências da União Europeia
O Ministro da Agricultura, André de Paula, assegurou nesta quarta-feira (13) que o Brasil manterá suas exportações de carne bovina para a União Europeia, mesmo diante das novas e mais rigorosas exigências impostas pelo bloco em relação à rastreabilidade e controle sanitário.
A declaração surge em resposta às recentes sinalizações europeias, que pegaram o governo brasileiro de surpresa pela antecipação do debate. As novas regras, que vão além da redução do uso de antibióticos, demandam comprovações sanitárias mais robustas e a segregação da produção.
Apesar das preocupações com possíveis mudanças estruturais na cadeia produtiva, o ministro transmitiu segurança ao mercado, reafirmando a solidez do sistema agropecuário brasileiro e a longa parceria com a Europa. As informações são do Ministério da Agricultura.
Brasil busca diálogo para adaptar produção às demandas europeias
O Ministro André de Paula destacou que o Brasil possui um sistema de defesa agropecuária **sólido e robusto**, sendo um dos maiores produtores de proteína animal do mundo e exportando para 170 países. Ele enfatizou a tradição de 40 anos de exportações para a Europa, afirmando: “Vamos seguir exportando para a Europa, fizemos ontem e faremos amanhã”.
Para alinhar os primeiros entendimentos sobre as exigências apresentadas pela União Europeia, o governo brasileiro já iniciou conversas. Uma reunião ocorreu na manhã de terça-feira (12) entre representantes brasileiros e o embaixador do Brasil junto à UE. O objetivo é esclarecer os pontos considerados “incipientes” pelo governo.
O vice-presidente Geraldo Alckmin também indicou que as análises das novas regras poderão ser feitas **“cadeia por cadeia”**, avaliando separadamente os diferentes segmentos do agronegócio brasileiro. Novas reuniões estão previstas para trazer mais clareza sobre o tema.
Setor agropecuário enfrenta desafios adicionais
As novas exigências da União Europeia chegam em um momento de **pressão crescente sobre o agronegócio brasileiro**. Conforme apontado pela ex-ministra da Agricultura, Tereza Cristina, o setor enfrenta uma combinação de crises externas e dificuldades internas.
A guerra na Ucrânia impactou o mercado global de fertilizantes, enquanto conflitos no Oriente Médio aumentaram os problemas logísticos e de transporte internacional. Internamente, o **alto custo do crédito rural** tem sido uma grande preocupação para os produtores, com taxas de juros consideradas “insanidade” por Tereza Cristina.
Tereza Cristina defendeu mudanças no modelo do Plano Safra, argumentando que o formato atual não acompanha mais o tamanho da agricultura brasileira nem as necessidades dos produtores. Ela também ressaltou a importância da ampliação do seguro rural diante dos riscos climáticos associados ao fenômeno El Niño, declarando que o seguro é **“fundamental para o produtor brasileiro”**.
Governo busca soluções para o crédito rural e apoia o setor
O Ministro André de Paula reconheceu as dificuldades enfrentadas pelo agronegócio, como os juros altos, o endividamento e o acesso ao crédito rural, temas que têm sido recorrentes em suas conversas com representantes do setor. Ele afirmou o compromisso do governo em buscar taxas de juros que caibam no bolso do produtor e em atuar na prevenção do endividamento.
Apesar do cenário desafiador, o ministro reafirmou seu papel de **defesa do setor dentro do governo federal**. “Ao fim e ao cabo, eu sou governo. Vou lutar dentro do governo para que o setor possa crescer”, concluiu, demonstrando o empenho em manter a competitividade e o crescimento da agropecuária brasileira no cenário internacional e doméstico.