Perícia em celular de PM Gisele revela desejo de divórcio e acusações de traição contra tenente-coronel
Novas mensagens extraídas do celular da policial militar Gisele Alves Santana, que faleceu em circunstâncias ainda sob investigação, indicam um cenário de conflito conjugal intenso. A perícia concluiu que Gisele expressava claramente o desejo de se separar de seu marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, após descobrir uma suposta traição.
As conversas recuperadas mostram a policial questionando o companheiro sobre infidelidade e afirmando sua decisão de não querer mais manter o relacionamento. Essa descoberta lança novas luzes sobre os eventos que antecederam a morte da soldado, levantando hipóteses que divergem da versão inicial apresentada.
A análise detalhada dos dados digitais, conforme divulgado pela CNN, sugere uma escalada de tensões e discussões nos dias que precederam o crime. As mensagens recuperadas, juntamente com indícios de manipulação de dados no aparelho, são pontos cruciais para a investigação em andamento.
Gisele expressa dor e decisão de separação
Em uma das mensagens mais contundentes, Gisele escreve: “Quero me separar. Vou ser ex, não corna”. Ela relata a dor de ter sido traída e, mais ainda, de ter sido confrontada com mentiras quando buscou esclarecimentos do tenente-coronel. A policial deixou claro que a confiança no relacionamento havia sido quebrada irremediavelmente.
A comunicação digital recuperada indica que Gisele não via outra saída senão a separação, pois não confiava mais em seu marido. As palavras refletem um sofrimento profundo e uma resolução firme em encerrar a relação, o que contrasta com a alegação de que seria o tenente-coronel quem desejava o divórcio.
Indícios de manipulação digital após o crime
Um dos aspectos mais alarmantes da perícia é a identificação de uma possível “limpeza digital” no aparelho de Gisele logo após o disparo que a vitimou. O laudo do processo, ao qual a CNN teve acesso, aponta que o telefone foi acessado enquanto a vítima ainda estava viva e aguardava socorro.
Para a polícia, essa manipulação de informações, com registros compatíveis com a exclusão de conteúdos, levanta a hipótese de uma tentativa de controle da narrativa e alteração de provas digitais. As mensagens que teriam sido apagadas foram trocadas no dia anterior ao crime.
Versão do tenente-coronel contestada pelas mensagens
A polícia investiga se o celular da vítima foi utilizado para sustentar a versão inicial do tenente-coronel, que apontava o suicídio como causa da morte de Gisele. As mensagens recuperadas, onde Gisele afirma querer se separar, contradizem diretamente a alegação de que era ele quem pedia o divórcio.
As conversas também revelam que Gisele se queixava de monitoramento de suas redes sociais por parte do marido, que teria chegado a apagar perfis masculinos de suas contas. Ela também mencionou que o companheiro desejava que ela pedisse baixa da corporação, informação confirmada por uma amiga da vítima em depoimento.
Manipulação de provas pode configurar fraude processual
Investigadores do caso consideram que a eventual manipulação de dados digitais pode configurar tentativa de fraude processual. Esse ato reforça a tese de feminicídio, sugerindo não apenas a violência física, mas também uma ação posterior para encobrir o crime.
A defesa do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto informou que ele se manifestará apenas nos autos do processo. A investigação segue em curso, buscando esclarecer todos os detalhes que levaram à trágica morte da policial militar Gisele Alves Santana.