A despedida de Lionel Messi da Seleção Argentina foi marcada por um forte clamor político, com torcedores e até mesmo o ex-combatente Fábio Santana exibindo cartazes e entoando cânticos com a mensagem “As Malvinas são argentinas”. A reivindicação sobre a soberania do arquipélago, um tema sensível para o país, ganhou visibilidade durante o amistoso contra Benin, que terminou com vitória argentina por 3 a 0.
A atmosfera no Monumental de Nuñez, em Buenos Aires, era de celebração pela trajetória de Messi, mas também de reafirmação de um sentimento nacional profundo. Cartazes estendidos nas arquibancadas e um grande pano sobre o gramado exibiam a frase que ecoa um desejo histórico argentino, conforme relatado por fontes como o TyC Sports.
Essa demonstração de unidade em torno da causa das Malvinas, como são chamadas as ilhas na Argentina, ocorre em um momento de tensões diplomáticas entre o país e o Reino Unido, especialmente devido a atividades de exploração petrolífera e pesqueira na região, que o governo argentino considera não autorizadas.
A reivindicação argentina sobre as Ilhas Malvinas é um ponto central na política externa do país, figurando inclusive na Constituição Nacional como um objetivo permanente e irrenunciável. A atual administração, sob o comando do presidente Javier Milei, tem mantido uma postura firme em relação a essa questão, intensificando o debate nas últimas semanas.
Hino com Toque de História e Solidariedade
O amistoso teve um momento simbólico antes mesmo do apito inicial, com a interpretação do hino argentino por Fábio Santana, um veterano da Guerra das Malvinas de 1982. Sua presença e o cartaz exibido ao lado de Messi reforçaram a conexão entre o esporte e a identidade nacional.
Santana se aproximou do capitão argentino após o canto do hino, carregando a bandeira com a mensagem “Las Malvinas son argentinas”, um gesto que emocionou os presentes e gerou ampla repercussão nas redes sociais e na imprensa esportiva, como apontado pelo TyC Sports.
Um Eco de Vitórias Anteriores
A mensagem política não é inédita em eventos recentes da seleção. Em julho, após a vitória sobre a Inglaterra na semifinal da Copa do Mundo, jogadores como Giovani Lo Celso, Cristian “Cuti” Romero e Lisandro Martínez já haviam estendido um pano similar no campo. Naquela ocasião, Messi contribuiu com duas assistências para a vitória por 2 a 1.
A decisão dos jogadores de ignorar os avisos da FIFA sobre a divulgação de mensagens políticas resultou em uma multa para a Associação do Futebol Argentino (AFA), superior a 320 mil dólares. Apesar da penalidade financeira, o ato demonstrou a força do sentimento em torno da causa das Malvinas para a equipe e seus torcedores.
O Legado de Messi e a Continuidade da Reivindicação
Enquanto Messi se despede dos gramados pela seleção, deixando um legado de conquistas e talento inquestionáveis, a bandeira da reivindicação sobre as Malvinas continua a ser erguida. A mensagem política em seu jogo de despedida sublinha que, para muitos argentinos, a paixão pelo futebol se entrelaça intrinsecamente com questões de soberania e identidade nacional.
A vitória por 3 a 0 contra Benin, com um gol de pênalti de Messi e duas assistências suas, serviu como palco para essa manifestação. A Albiceleste mostrou sua força, enquanto a mensagem sobre as Malvinas se consolidava como um elemento marcante na despedida de seu maior ídolo, reforçando a importância da causa para o povo argentino.
