Projeto Onças do Iguaçu registra pela primeira vez no Brasil a onça-pintada Manchita, animal que circula entre Argentina e Brasil
Um momento de grande relevância para a conservação da fauna brasileira foi divulgado nesta quarta-feira (16). O Projeto Onças do Iguaçu, iniciativa do Parque Nacional do Iguaçu ICMBio, apresentou imagens inéditas da onça-pintada conhecida como Manchita, registrada pela primeira vez em território nacional, na região de Foz do Iguaçu, Paraná.
A presença de Manchita no Brasil, embora já fosse conhecida por projetos de pesquisa argentinos, representa um marco importante. Até então, a felina era registrada apenas por iniciativas da Argentina, como Aves Argentinas e Proyecto Yaguareté. Este novo registro brasileiro reforça a importância da cooperação internacional para o monitoramento e a proteção de espécies migratórias.
As imagens capturadas pelo projeto brasileiro mostram Manchita em um comportamento peculiar, que tem gerado curiosidade entre os pesquisadores. A onça-pintada demonstra um interesse particular em rastros deixados por outros animais, levantando questões sobre seus hábitos e movimentação na região de fronteira. Conforme informação divulgada pelo Projeto Onças do Iguaçu.
O reflexo de Flehmen e a comunicação química das onças
Um dos momentos registrados mostra Manchita cheirando intensamente uma árvore, local por onde outra fêmea havia passado no dia anterior. Em seguida, a onça levanta a cabeça e faz uma expressão facial característica, que os cientistas identificam como o reflexo de Flehmen. Este comportamento é fundamental para a comunicação entre os felinos.
Por meio do reflexo de Flehmen, a onça-pintada direciona moléculas de odor para o órgão vomeronasal, uma estrutura especializada na detecção de sinais químicos. Essa habilidade permite a Manchita identificar quem passou pelo local, seu sexo, estado reprodutivo e outras informações cruciais sobre outros indivíduos na área. É, essencialmente, uma leitura química do ambiente.
Manchita e a conexão entre Brasil, Argentina e Paraguai
A expectativa do Projeto Onças do Iguaçu é que Manchita siga os passos de sua mãe, Kunumi, que também transita entre o Brasil e a Argentina. A região de Foz do Iguaçu abrange uma área de fronteira que inclui Brasil, Paraguai e Argentina, tornando-a um corredor ecológico vital para a movimentação dessas grandes felinas.
A observação contínua de Manchita e outros indivíduos na região é essencial para entender os padrões de deslocamento e garantir a conectividade entre as populações de onças-pintadas nos três países. A presença da onça-pintada em solo brasileiro é um sinal positivo para os esforços de conservação na Mata Atlântica e no bioma Mata de Iguaçu.
A importância do registro inédito para a conservação
Este registro inédito de Manchita por uma iniciativa brasileira é um passo fundamental para a conservação da onça-pintada no país. Ele não apenas confirma a presença do animal em uma área estratégica, mas também abre portas para novas pesquisas e estratégias de manejo integrado na região trinacional.
A colaboração entre os países é vital para assegurar a sobrevivência de espécies que não reconhecem fronteiras. O Projeto Onças do Iguaçu e seus parceiros argentinos demonstram a força da união em prol da proteção da biodiversidade, com Manchita se tornando um símbolo dessa causa.
