Noite de 2 de março de 1996, rota Brasília, terminou em colisão com a Serra da Cantareira, entenda a sequência do voo, as vítimas, e as causas oficiais apontadas
Na madrugada que mudou a história do rock cômico brasileiro, um voo entre Brasília e Guarulhos terminou em tragédia, tirando a vida dos integrantes da banda que havia conquistado o país.
O acidente ocorreu por volta das 23h16, quando a aeronave atingiu a Serra da Cantareira após uma arremetida mal sucedida e falhas de comunicação entre pilotos e controle de voo.
Ao todo, morreram os cinco integrantes do grupo, a equipe que os acompanhava e os tripulantes, com a investigação atribuindo fatores humanos e técnicos para o desastre, conforme informação divulgada pelo g1.
O voo, a aeronave e quem estava a bordo
O avião era um Learjet 25D prefixo PT-LSD, operado pela Madri Táxi Aéreo, que iniciou a viagem em 1º de março, com saída de Caxias do Sul e escala em Piracicaba. No dia 2 de março, a aeronave seguiu para Guarulhos, e mais tarde para Brasília.
Na volta, às 21h58 de 2 de março, a mesma tripulação decolou de Brasília com destino a Guarulhos, trajeto que não chegou ao destino. Entre os mortos estavam os cinco integrantes da banda, Dinho, Bento Hinoto, Samuel Reoli, Júlio Rasec e Sérgio Reoli, além do secretário e assistente Isaac “Shurelambers” Souto, o segurança Sérgio “Reco” Porto, o piloto Jorge Martins, e o copiloto Alberto Takeda.
O que ocorreu na aproximação e a colisão
Segundo relatos da época, o piloto Jorge Martins, que já acumulava cerca de 14 horas de voo, teve dificuldades para pousar em Guarulhos e executou uma arremetida. A manobra, convencionalmente, exige que a aeronave vire à esquerda para evitar tráfego, porém, em Guarulhos, por causa do relevo, o procedimento correto exige uma guinada para a direita.
O piloto, seguindo a instrução convencional, acabou não observando a necessidade específica daquela pista, e a aeronave colidiu com os morros da Serra da Cantareira, por volta das 23h16, em atitude superior a mil metros.
Investigação e causas apontadas
“A investigação instaurada pela Agência Nacioanl de Aviação Civil e pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáutico, estipulou que a principal causa do acidente foi a exaustão do piloto, que estava no ar com a banda desde o dia anterior.”
Além dessa conclusão, as apurações também mencionaram a baixa visibilidade noturna, falta de iluminação aérea adequada, perda de contato com a torre principal, possível falha na aeronave e a falta de experiência do copiloto, como fatores que contribuíram para o desastre.
Resgate e legado
Equipes de resgate chegaram horas depois ao local, uma região de acesso difícil entre as montanhas, e ninguém foi encontrado com vida. A tragédia interrompeu de forma abrupta a trajetória da banda, que se tornaria referência nacional por sua irreverência e sucesso meteórico.
O acidente com os Mamonas Assassinas permanece como um marco na memória cultural do Brasil, lembrado tanto pela perda humana quanto pelas falhas sistêmicas apontadas nas investigações, e pelo impacto duradouro na música popular brasileira.