Uma dupla formada por mãe e filha localizou uma estrutura de coral de dimensão inédita na Grande Barreira de Corais, na costa da Austrália.
A coluna de Pavona clavus tem cerca de 111 metros, o equivalente a um campo de futebol, e cobre aproximadamente 3.973 metros quadrados.
Os detalhes da descoberta e das medições foram divulgados pela organização Citizens of the Reef, conforme informação divulgada pela organização Citizens of the Reef.
Como foi feita a descoberta
Sophie Kalkowski-Pope, coordenadora de operações marinhas da Citizens of the Reef, mergulhou no local e percebeu que havia algo excepcional, então retornou com sua mãe, Jan Pope, para registrar e medir a estrutura.
Segundo a organização, Sophie disse, “Quando entramos na água, imediatamente reconheci a importância do que estávamos vendo”. Juntas, filmaram a extensão do coral em forma de J, e “Levei três minutos de vídeo só para nadar de um lado para o outro”.
Medições, espécie e modelagem
Os pesquisadores verificaram o tamanho do coral Pavona clavus por meio de medições manuais subaquáticas e de imagens de alta resolução obtidas a partir de plataformas na superfície.
Esses dados foram usados para produzir um modelo 3D do coral, recurso que, segundo especialistas, é útil para monitorar mudanças ao longo do tempo e permitir comparações diretas entre visitas futuras.
Importância e contexto para conservação
A Citizens of the Reef afirma que a estrutura está “entre as estruturas de coral mais significativas já registradas na Grande Barreira de Corais” e que é “a maior colônia de coral documentada e mapeada do mundo”.
Pesquisadores destacam que o local apresenta fortes correntes de maré e baixa exposição a ondas ciclônicas tropicais, condições que podem ajudar a explicar a existência de uma colônia tão grande.
O achado integra o Great Reef Census, iniciativa que reúne imagens de mais de 100 embarcações, e segue a ideia de mobilizar o chamado poder popular para ampliar os esforços de conservação, conforme comunicado da organização.
Riscos e cenário global
A localização exata não foi divulgada para reduzir riscos de impactos não intencionais, informou a Citizens of the Reef.
O recife encontrado contrasta com um quadro global preocupante, já que, segundo a mesma fonte, mais de 80% dos recifes oceânicos foram afetados por um evento global de branqueamento em curso, que começou em 2023, causado por temperaturas marinhas recordes.
Sobre a descoberta, Michael Sweet, professor de ecologia molecular da Universidade de Derby, afirmou que a colônia “é maior do que qualquer coral que eu já tenha visto pessoalmente” e que, “O que torna esta descoberta ainda mais especial é que, numa época em que muitos corais estão realmente a sofrer devido a doenças, branqueamento, destruição física causada pela recuperação de terras e poluição, entidades genéticas individuais como esta colônia de Pavona superam todas as expectativas e não só sobrevivem como prosperam”.
A identificação da maior colônia de corais do mundo por cientistas cidadãos reforça a importância do monitoramento participativo, e oferece uma base para estudos futuros sobre resiliência e proteção da Grande Barreira de Corais.