Pesquisa Alarmante: Machismo no Futebol e Aumento da Violência Contra Mulheres em Dias de Jogo no Brasil
A proximidade da Copa do Mundo Feminina de 2027, que será sediada no Brasil, lança luz sobre questões sociais profundas ligadas ao futebol. Uma pesquisa recente revela que a maioria dos brasileiros reconhece a presença do machismo no esporte e os obstáculos enfrentados pelas mulheres. Além disso, um número expressivo de pessoas já está ciente ou não se surpreende com o aumento da violência contra a mulher em dias de jogos de futebol, um dado preocupante que exige atenção.
O levantamento, realizado pela Hibou Pesquisas e Insights em parceria com a plataforma Red é de Sangue, com apoio da HeForShe (ONU Mulheres) e do Sindilegis, ouviu 1.120 brasileiros maiores de 18 anos. Os resultados, divulgados entre os dias 10 e 16 de junho de 2026, com margem de erro de 2,9 pontos percentuais, pintam um quadro complexo da relação entre gênero, futebol e violência no país.
Esses dados são um chamado à reflexão sobre a cultura esportiva brasileira e a necessidade de combater a misoginia e a violência de gênero, especialmente em um momento em que o país se prepara para sediar um dos maiores eventos do futebol feminino mundial. A seguir, detalhamos os principais achados da pesquisa e suas implicações.
Machismo Estrutural e a Percepção Masculina no Futebol
A pesquisa aponta uma dissonância interessante na percepção do machismo no futebol. Enquanto 86% da população geral discorda da afirmação “futebol é coisa de homem”, esse índice cai significativamente para 65% entre os homens. Da mesma forma, a ideia de que o lugar da mulher é “apenas na torcida” é refutada por 91% dos entrevistados, mas essa concordância também diminui entre o público masculino.
O comportamento em campo também revela diferenças. A consideração de que é “totalmente inaceitável” um jogador questionar uma árbitra com argumentos machistas é compartilhada por 85% dos entrevistados. Contudo, entre os homens, esse percentual cai para 77%. Esses dados indicam que, embora haja um reconhecimento geral do problema, as barreiras do machismo são percebidas de forma menos intensa por parte do público masculino.
Violência Doméstica em Dias de Jogo: Um Problema Reconhecido
Um dos dados mais alarmantes da pesquisa é que 79% dos brasileiros já conhecem ou não se surpreendem com estudos que apontam o aumento da violência contra a mulher em dias de jogos de futebol. Apenas 19% afirmaram ter ficado surpresos com essa informação, demonstrando uma ampla conscientização sobre o tema.
Questionados sobre os fatores que explicam esse aumento, o consumo excessivo de álcool foi citado por 71% dos entrevistados. Em seguida, aparecem a falta de educação e respeito (57%) e a misoginia estrutural (53%). É notável que, entre os homens, apenas 26% associaram o problema ao machismo estrutural, uma das maiores disparidades registradas na pesquisa.
Interesse Limitado pelo Futebol Feminino
Apesar da proximidade da Copa do Mundo Feminina e do crescente espaço conquistado pela modalidade, o interesse do público brasileiro ainda é limitado. Apenas 2% dos entrevistados acompanham regularmente o futebol feminino, enquanto 22% assistem “de vez em quando” e 21% “raramente”. Outros 27% não acompanham a modalidade, e 29% não assistem nem ao futebol feminino nem ao masculino.
Entre os homens, o percentual de acompanhamento regular sobe para 7%, mas um terço ainda afirma não acompanhar o futebol feminino. Apesar disso, 68% dos entrevistados concordam que o futebol feminino é frequentemente desvalorizado por preconceito de gênero, indicando um reconhecimento das dificuldades enfrentadas pelas atletas.
Árbitras, Narradoras e Torcedoras Enfrentam Resistência Diária
A pesquisa também evidencia que mulheres que ocupam espaços tradicionalmente masculinos no futebol enfrentam tratamento diferenciado. Noventa por cento dos brasileiros concordam que árbitras sofrem mais pressão e desrespeito do que árbitros homens, percentual que cai para 70% entre os homens. Além disso, 79% afirmam que homens questionam mais o conhecimento de futebol de mulheres do que de outros homens.
A credibilidade das profissionais da área ainda é um desafio. Enquanto 56% concordam que mulheres entendem de futebol tanto quanto homens, 14% dos entrevistados afirmam confiar mais em comentários esportivos feitos por homens, índice que sobe para 25% entre o público masculino. Outro ponto relevante é que 70% dos brasileiros acreditam que parte da rejeição às narradoras esportivas está ligada ao machismo, reforçando a necessidade de combater estereótipos e preconceitos no esporte.