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Lula, Trump e IA na ONU: O que esperar do último discurso de Guterres e das tensões globais?

Assembleia Geral da ONU: Um palco para tensões globais e o futuro da inteligência artificial

A Organização das Nações Unidas (ONU) se prepara para mais uma Assembleia Geral, com o tema “Restaurar a confiança, gerir a transformação: Uma ONU que entrega para todos.” Este evento marca a despedida do português António Guterres como secretário-geral, em um cenário global turbulento, com guerras em curso e a rápida evolução da inteligência artificial (IA) levantando novas preocupações.

Diplomatas e líderes mundiais se reúnem em Nova York para o “debate geral”, onde discursos de alto impacto são esperados. A presença de figuras como o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente americano Donald Trump, além de debates sobre o futuro da IA, prometem manter o evento em evidência.

A Assembleia Geral da ONU, conforme informações divulgadas pela CNN, é uma oportunidade única para negociações à margem do evento principal. Reuniões bilaterais e discussões sobre conflitos internacionais e acordos estratégicos moldarão os próximos passos da diplomacia global.

Encontros de Alto Nível e Tensões Geopolíticas

Donald Trump tem encontros agendados com líderes dos estados árabes do Golfo Pérsico para discutir a guerra com o Irã. Uma reunião com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky também está prevista, assim como um briefing para o Conselho da Paz de Trump, que supervisiona a reconstrução de Gaza. Essa iniciativa levanta questionamentos sobre o papel futuro da ONU, dado que Trump já sugeriu que o conselho poderia, eventualmente, substituir a organização.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, deve se reunir com o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. A Assembleia Geral também serve como plataforma para a formalização de acordos. Trump, por exemplo, deve assinar um acordo com a Dinamarca e a Groenlândia que concederia aos EUA “controle permanente” sobre a segurança groenlandesa, meses após ameaçar anexar a ilha.

Discursos Marcantes e a Ausência de Xi Jinping

A lista de oradores é crucial para definir o tom da Assembleia Geral. Espera-se a presença de mais de 130 chefes de Estado e de governo, mas a dinâmica pode ser afetada pela ausência do líder chinês Xi Jinping. Xi deve visitar Washington durante a Semana de Alto Nível da AGNU, o que pode criar uma “tela dividida” para a ONU, como aponta Daniel Forti, chefe de assuntos da ONU no International Crisis Group.

António Guterres, em sua última coletiva de imprensa, expressou o desejo de ter o presidente Xi Jinping presente, mas destacou que se reuniu com ele recentemente e não está preocupado com o compromisso chinês com o multilateralismo. Outros oradores de destaque incluem o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, que discursará primeiro, e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu.

Adeus, Guterres e o Futuro da IA na ONU

A Assembleia Geral deste ano também marca a despedida de António Guterres como secretário-geral. Durante seu mandato, Guterres focou em financiamento do desenvolvimento, mudanças climáticas e na preparação da ONU para a ascensão da inteligência artificial (IA). A IA será um tema central nas discussões, com conferências e reuniões dedicadas ao assunto, incluindo um encontro do Conselho de Segurança sobre IA.

Guterres tem alertado sobre os riscos da IA desde 2021 e seu foco nessa tecnologia emergente pode ter impactado seu papel tradicional na promoção da paz. A sucessão de Guterres também estará em pauta, com a ex-vice-presidente da Costa Rica, Rebeca Grynspan, despontando como favorita em uma pesquisa informal. Os EUA, no entanto, ainda não apoiaram formalmente nenhum candidato, exigindo compromisso com reformas.

Situação Financeira e Relevância da ONU

A ONU se encontra em uma situação financeira mais estável do que no ano passado, quando enfrentou uma grave crise orçamentária. O governo dos EUA enviou US$ 827 milhões em contribuições, um valor significativo para uma organização que corria o risco de “iminente colapso financeiro”. Apesar das dúvidas sobre sua relevância, levantadas inclusive por Donald Trump, a ONU continua sendo um fórum essencial para a diplomacia global.

Daniel Forti reitera que, em um mundo com mais guerras, a ONU é a única organização com a legitimidade e capacidade de reunir todos os Estados para enfrentar desafios globais, definir regras e evitar conflitos. A organização, apesar de suas limitações, ainda é um espaço indispensável para a cooperação internacional.