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Lula critica uso do comércio como arma, pede diálogo com a Coreia do Sul e defende retomar negociações do Acordo MERCOSUL-República da Coreia

Em Seul, presidente Lula afirmou que enfrentar o uso do comércio como arma exige diálogo, negociação e avanço nas tratativas entre Mercosul e República da Coreia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o que chamou de tentativa de usar o comércio como arma, e defendeu que a resposta deve ser buscar entendimentos por meio do diálogo e da negociação.

Lula discursou no encerramento do Fórum Empresarial Brasil-Coreia do Sul, em Seul, nesta segunda-feira (23), onde destacou os laços humanos e os vínculos empresariais entre os dois países.

O recado ocorreu em meio a medidas tarifárias anunciadas pelos Estados Unidos na semana anterior, e o presidente também pediu prioridade à retomada das negociações de um acordo entre o Mercosul e a Coreia do Sul, conforme informação divulgada pelo g1.

Discurso em Seul e a defesa do diálogo

No evento em Seul, Lula afirmou, em declaração citada pela fonte, que “A melhor resposta à tentativa de usar o comércio como arma é mostrar que é possível alcançar entendimentos mutuamente benéficos por meio do diálogo e da negociação. A relação entre o Brasil e a República da Coreia, dois países ligados por fortes laços humanos e vínculos empresariais, é a prova de que a confiança e a cooperação valem a pena“.

O presidente destacou que a confiança e a cooperação bilateral são exemplos de como o comércio como arma pode ser superado por acordos e parcerias, e pediu que as negociações comerciais avancem com foco em benefícios mútuos.

Contexto internacional, tarifas dos EUA e reação

A declaração de Lula ocorreu depois do anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de uma nova tarifa global de 10% na sexta-feira (20), enviada por meio da seção 122 do Ato do Comércio de 1974, depois da Suprema Corte barrar o uso da IEEPA, segundo a fonte.

No sábado (21), a tarifa foi aumentada para 15%, informação citada pela cobertura que serviu de base ao texto.

Em viagem à Coreia do Sul, Lula ainda mandou um recado ao líder americano, afirmando, nas palavras citadas pela fonte, que “Quero dizer ao presidente Trump que nós não queremos uma nova Guerra Fria. Não queremos ter preferência por nenhum país, queremos ter relações iguais com todos os países. Nós queremos tratar todos em igualdade de condições e receber deles também um tratamento igualitário com os outros países“.

Mercosul, Coreia do Sul e propostas de avanço

O presidente também defendeu a retomada das negociações entre o Mercosul e a República da Coreia, citando o progresso do bloco em outras frentes. “O Mercosul está progredindo em tratativas comerciais com diversos países. Depois de duas décadas, assinamos acordo com a União Europeia, que criou uma das maiores zonas de livre comércio do mundo. Precisamos, agora, retomar as negociações de um Acordo MERCOSUL-República da Coreia“, afirmou Lula, conforme a fonte.

Ao defender o acordo com a Coreia do Sul, o presidente ressaltou que parcerias comerciais podem gerar ganhos reais, fortalecer cadeias produtivas e reduzir o uso do comércio como arma nas disputas geopolíticas.

Perspectivas e próximos passos

Analistas e empresários presentes ao Fórum Empresarial Brasil-Coreia do Sul avaliam que a sinalização de Lula pode acelerar conversas técnicas entre os blocos, e que a proposta de negociação abre espaço para discutir tarifas, regras de origem e investimentos.

O governo brasileiro indicou que pretende traduzir a retórica em agenda diplomática, com foco em negociação bilateral, atração de investimentos e a busca por acordos que favoreçam a integração comercial sem recorrer a medidas punitivas.