Bradesco Atinge Lucro de R$ 7,1 Bilhões no 3º Trimestre, com Alta de 14,6%
O Banco Bradesco divulgou um resultado financeiro expressivo referente ao terceiro trimestre de 2023, apresentando um lucro líquido recorrente de R$ 7,1 bilhões. Este valor representa um **aumento de 14,6%** em comparação com o mesmo período do ano anterior, alinhando-se às previsões do mercado e demonstrando a solidez da instituição em um cenário econômico desafiador.
Na análise sequencial, o lucro apresentou uma **elevação de 0,8%** em relação ao trimestre anterior, indicando uma recuperação consistente. A carteira de crédito totalizou R$ 1,15 trilhão ao final de setembro, um crescimento de 11,1% em doze meses, mas com uma expansão mais modesta de 1,1% no trimestre.
Apesar dos números positivos, o índice de inadimplência acima de 90 dias registrou um leve aumento, atingindo 4,6%, contra 4,1% no ano anterior e 4,3% no segundo trimestre. Conforme informação divulgada pelo banco, o resultado foi impactado por um cenário desafiador para todos os setores.
Causas do Crescimento e Desafios na Inadimplência
O executivo do Bradesco destacou que, embora as receitas relacionadas a crédito tenham crescido menos, o banco conseguiu compensar essa variação com um desempenho positivo em receitas não oriundas de crédito e um bom controle de despesas. Essa estratégia multifacetada foi fundamental para a manutenção do crescimento do lucro.
O custo do crédito, medido pela despesa de provisões (PDD) expandida, apresentou um aumento de 24,3% em relação ao ano anterior e 6,6% na comparação trimestral, totalizando R$ 10,6 bilhões. Esse aumento reflete as condições atuais do mercado e a necessidade de provisionamento.
Análise da Inadimplência e Segmentos Afetados
O banco atribuiu a **leve alta na inadimplência** acima de 90 dias ao segmento de micro, pequenas e médias empresas (MPME), especialmente nas operações de capital de giro com garantia do Governo Federal. Esses atrasos representaram cerca de metade da evolução da inadimplência total no período.
Além disso, atrasos sazonais nas operações do Banco John Deere também pressionaram os indicadores de pessoas físicas. A carteira de crédito foi detalhada por estágios: R$ 730,8 bilhões no estágio 1 (risco saudável), R$ 46,7 bilhões no estágio 2 (aumento de risco) e R$ 62,5 bilhões no estágio 3 (problemas de recuperação).
Eficiência Operacional e Fortalecimento do Capital
O retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) do Bradesco atingiu 15,6%, demonstrando uma melhora em relação aos 14,7% do mesmo intervalo do ano anterior. Excluindo o recente aumento de capital, o ROAE foi de 16,1%.
O índice de Basileia total do banco encerrou o trimestre em 16%, e o de capital principal em 12,1%, ambos com ligeira melhora em relação ao ano anterior e ao trimestre anterior, refletindo o fortalecimento da estrutura de capital da instituição.
Receitas Totais e Controle de Despesas
As receitas totais do Bradesco somaram R$ 38 bilhões, um aumento de 8,4% em relação ao ano anterior. A margem financeira total expandiu 14,2%, alcançando quase R$ 21,4 bilhões. A margem com clientes cresceu 10,1%, enquanto a margem com mercado registrou R$ 875 milhões.
Um ponto de destaque foi a redução de 1% nas despesas operacionais, o que contribuiu para a melhora do índice de eficiência, que caiu de 50,1% para 45,4%. O banco manteve uma extensa rede de atendimento, com 1.741 agências, 723 unidades de negócios e 1.428 postos de atendimento ao final de setembro.
Desempenho do Grupo Segurador
O grupo segurador do Bradesco também apresentou resultados positivos, com um lucro líquido recorrente de R$ 2,9 bilhões, um crescimento de 14,1% em relação ao ano anterior. O ROAE do segmento segurador atingiu 22%, evidenciando a força e diversificação do negócio.