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Líder de Seita no Quênia Condenado por Morte de 190 Crianças em Jejum Forçado para ‘Encontrar Jesus’

Tribunal Queniano responsabiliza líder de seita por mortes de crianças em jejum forçado

Um veredito marcante foi proferido no Quênia, onde o líder de uma seita cristã, Paul Mackenzie, foi considerado culpado pelo assassinato de 190 crianças. As mortes ocorreram em decorrência de um sistema organizado de jejum forçado e maus-tratos, orquestrado com o objetivo de que os seguidores e seus filhos alcançassem o céu e encontrassem Jesus.

O julgamento, classificado como um dos casos criminais mais relevantes da história do país, concluiu que Mackenzie e cerca de 30 outros suspeitos organizaram um esquema para submeter seguidores a jejuns letais. A decisão do Tribunal Superior de Mombaça abrange a morte de 191 pessoas, sendo a grande maioria crianças, encontradas na floresta de Shakahola, no leste do Quênia.

Conforme divulgado pelo gabinete do diretor do Ministério Público do Quênia, as mortes foram resultado de um “sistema organizado no qual ensinamentos religiosos e uma hierarquia estabelecida eram utilizados para orientar e impor jejuns letais”. O jejum era implementado de forma sequencial, começando pelas crianças, com guardas impedindo fugas e o acesso a alimentos.

O Culto da Morte na Floresta de Shakahola

Paul Mackenzie, líder da igreja Good News International Church, é acusado de convencer seus seguidores de que o mundo exterior era maligno e que a salvação só seria alcançada com a mudança para a floresta. Utilizando sermões e materiais escritos, ele instruía as pessoas a jejuarem até a morte, buscando um encontro com Jesus.

As investigações começaram em abril de 2023, após o encontro de centenas de corpos na floresta. Até o momento, 429 corpos foram recuperados, e novas acusações podem surgir. Mackenzie, com pouco mais de 50 anos, também desencorajava o uso da medicina moderna e o acesso à educação formal, isolando ainda mais seus seguidores.

Evidências e Relatos Chocantes

Provas extraídas do celular de Mackenzie, incluindo mensagens de WhatsApp, revelaram comunicações com seguidores antes de se mudarem para Shakahola. A juíza Diana Kavedza detalhou em sua decisão, que durou mais de oito horas, como os seguidores foram convencidos a abandonar suas vidas e bens.

Relatos indicam que aqueles que resistiam à ordem de jejum eram forçados a obedecer. As crianças eram contidas, privadas de alimento e punidas por tentarem comer ou fugir. Exames post mortem revelaram que algumas vítimas morreram por asfixia, compressão no pescoço ou traumatismos cranianos, e não apenas por inanição.

Busca por Justiça e o Futuro dos Acusados

Famílias que buscavam parentes desaparecidos na floresta de Shakahola encontraram em seus entes queridos vítimas da seita. Rodgers Shibutse, morador de Nairóbi, relatou ter encontrado os restos mortais de sua mãe entre os corpos exumados. Ele expressou o desejo de que Mackenzie seja condenado à prisão perpétua.

A defesa de Mackenzie alega que ele não forçou ninguém a jejuar e que as ações das vítimas foram voluntárias, planejando recorrer da decisão. A sentença de Mackenzie e dos outros acusados será proferida em 6 de novembro, em um caso que continua a abalar o Quênia e a gerar discussões sobre a manipulação religiosa e seus trágicos desfechos.