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Kast assume Chile em “piores condições”: Finanças frágeis e crime organizado são focos de emergência

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Kast assume presidência do Chile com cenário crítico e promete “governo de emergência”

Em seu primeiro discurso à nação, o recém-empossado presidente do Chile, José Antonio Kast, pintou um quadro sombrio do país, descrevendo-o como assolado pelo crime organizado e com finanças públicas fragilizadas. Kast apresentou seu governo como uma força de emergência, determinada a reverter essa situação.

“Eles estão nos entregando um país em condições piores do que poderíamos imaginar. Um país com finanças públicas fragilizadas. Um país onde o crime organizado e o narcotráfico prosperaram”, declarou Kast diante de milhares de apoiadores em frente ao Palácio de La Moneda, em Santiago.

O novo presidente enfatizou a necessidade de união para enfrentar as emergências em segurança, saúde, educação e emprego. “Para enfrentar essas emergências -, o Chile precisa de um governo de emergência, e é isso que seremos”, afirmou, conforme divulgado em seu pronunciamento.

Auditorias e combate intensificado ao crime como prioridades

José Antonio Kast anunciou que seu governo realizará auditorias em todos os setores e intensificará o combate ao crime, à imigração ilegal e à corrupção. A promessa é de “restaurar nosso país, restaurar nossas ruas, restaurar nossas instituições e restaurar a esperança”.

Antes de seu discurso, Kast assinou decretos presidenciais focados em reforçar a segurança nas fronteiras do norte do país e em realizar uma auditoria completa das finanças públicas. Ele prometeu reprimir a imigração e a criminalidade, ao mesmo tempo em que busca impulsionar o crescimento econômico por meio da desregulamentação e políticas favoráveis ao mercado.

O Chile enfrenta um aumento da criminalidade e instabilidade econômica, agravados por turbulências no mercado global. Um caso recente de um policial com morte cerebral em Puerto Varas evidenciou as preocupações com a segurança, levando Kast a afirmar: “Quem ataca um policial ataca o Chile”.

Reforma tributária e desafios geopolíticos marcam início de governo

O governo de Kast planeja apresentar em abril um projeto de reforma tributária com a redução de impostos para empresas, de 27% para 23% em quatro anos, e créditos fiscais para incentivar o emprego. “Este é um governo de esperança. Ele defende o trabalho, a classe trabalhadora”, disse Patricia Vilches, uma aposentada, expressando otimismo com as novas políticas.

A transição política também é marcada por tensões com os Estados Unidos, especialmente em relação a um projeto chinês de cabo submarino. Kast participou recentemente de uma reunião com o ex-presidente americano Donald Trump para lançar uma coalizão contra cartéis de drogas.

O Chile, maior produtor mundial de cobre e com a China como principal parceiro econômico, terá que navegar em um cenário geopolítico desafiador. Analistas apontam a necessidade de “diplomacia sofisticada e visão estratégica” para lidar com os riscos econômicos e a influência da China na América Latina.

Congresso dividido e agenda econômica sob escrutínio

Kast enfrentará um Congresso dividido, o que pode dificultar a implementação rápida de sua agenda. A eficácia de suas prioridades em segurança, imigração e economia será crucial nos próximos meses, segundo especialistas.

Apesar dos desafios, há expectativa de que “uma série de iniciativas seja esperada nos próximos três meses”, visando estabilizar o país e restaurar a confiança dos cidadãos e investidores.

Manifestantes contrários ao novo governo se reuniram em Valparaíso e Santiago, confrontando a polícia e expressando descontentamento com o que chamam de “imperialismo” e “capitalismo”. Os protestos foram dispersados pelas autoridades.