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Jogador Argentino Detalha Pesadelo no ICE: “Três Dias Sem Comer ou Beber Água Potável”, Relata Matías Pourrain

Jogador Argentino Detalha Pesadelo no ICE: “Três Dias Sem Comer ou Beber Água Potável”, Relata Matías Pourrain

O jogador de futebol argentino Matías Pourrain, que atua pelo Miami United FC, compartilhou detalhes angustiantes de sua experiência após ser detido por agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) nos Estados Unidos. Sua relato expõe a vulnerabilidade de imigrantes e as condições enfrentadas em centros de detenção.

Pourrain descreveu a brutalidade da fome e a dificuldade em obter água potável durante os primeiros dias de sua prisão, um pesadelo que começou em um aeroporto na Flórida. A situação levanta questões sobre o tratamento de imigrantes, independentemente de seu status legal.

Ele vive nos EUA desde 2019, combinando sua paixão pelo futebol com o ensino. No entanto, sua rotina foi abruptamente interrompida em agosto, quando se preparava para viajar com sua equipe. Conforme divulgado pelo jogador, a detenção ocorreu após uma abordagem de agentes à paisana no aeroporto.

A Abordagem Inesperada no Aeroporto

Matías Pourrain, de 34 anos, foi detido em um aeroporto em Fort Lauderdale, Hollywood, Flórida, em 6 de agosto. Ele se preparava para viajar a Los Angeles com seu time, o Miami United FC, que disputa a quarta divisão do futebol americano. Ao tentar obter água quente para sua bebida tradicional, o mate, Pourrain foi abordado.

“Disseram que eu tinha que ir com eles, de um jeito ou de outro. E bem, eles me levaram”, relatou Pourrain sobre o momento da abordagem. Apesar de ter entrado legalmente no país e ter um processo de imigração pendente, sua documentação, incluindo permissão de trabalho e carteira de habilitação válida, não o impediu de ser detido.

O Departamento de Segurança Interna (DHS) informou que Pourrain entrou legalmente nos EUA em 12 de novembro de 2019, com permissão para permanecer por seis meses, mas optou por ficar após 11 de maio de 2020, violando as leis. Ele foi liberado sob fiança em 28 de agosto, aguardando o resultado de seu processo de deportação.

Dias de Fome e Sede em Miramar

A primeira parada de Pourrain foi o centro de processamento do ICE em Miramar. Lá, ele enfrentou dias difíceis, sem acesso a comida e com condições precárias de higiene. “Eles não deixam você tomar banho. Fiquei três dias sem comer. A fome é brutal”, desabafou.

A situação da água potável era igualmente alarmante. Segundo Pourrain, os detidos recebiam uma garrafa de meio litro por dia. Para reabastecer, precisavam usar um bebedouro ao lado de um banheiro frequentemente lotado, onde as pessoas urinavam, tornando o acesso à água quase impossível.

A falta de comunicação e a incerteza sobre os motivos de sua detenção aumentaram sua angústia. Pourrain passou mais de um dia sem contato com a família ou sem entender claramente a situação, apenas ouvindo sobre a possibilidade de “saída voluntária” do país.

Contradições e Liberação

Em resposta às alegações de Pourrain, um porta-voz do Departamento de Segurança Interna negou as acusações de más condições, afirmando que o ICE possui padrões rigorosos e que os detidos recebem três refeições diárias, água potável, roupas, e acesso a chuveiros e itens de higiene.

Apesar dessas declarações, Pourrain foi transferido para uma prisão privada, onde as condições melhoraram, recebendo comida e suprimentos básicos. Contudo, ele relatou ter passado frio devido ao ar-condicionado e à escassez de cobertores.

Após o pagamento de uma fiança de US$ 20 mil, Pourrain foi liberado 20 dias depois. Ele agora possui um documento judicial que garante sua liberdade de movimento enquanto aguarda a resolução de seu caso de imigração, buscando retomar sua vida e rotina em Orlando, Flórida.