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Irã testa alcance de mísseis balísticos com ataque a base dos EUA no Índico, gerando alerta global

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Irã desafia limites de alcance de mísseis em ataque a base remota no Oceano Índico

A recente tentativa do Irã de atingir uma base militar conjunta dos EUA e do Reino Unido em Diego Garcia, localizada a mais de 3.000 quilômetros de sua costa, reacendeu o debate sobre as capacidades de seu arsenal. O lançamento de dois mísseis balísticos de alcance intermediário, embora malsucedido, sinaliza uma possível expansão do alcance operacional iraniano, superando limites anteriormente autoimpostos.

Este incidente, o primeiro registrado com o objetivo de atingir a remota ilha de Diego Garcia, levanta sérias questões. A base foi estrategicamente construída fora do alcance da maioria dos adversários regionais, tornando o ataque iraniano um marco significativo. A capacidade de Teerã de projetar força a distâncias tão consideráveis pode redefinir o cenário geopolítico e as estratégias de defesa globais.

Especialistas alertam que o Irã pode não estar mais restrito ao seu limite autoimposto de 2.000 quilômetros de alcance de mísseis. Essa potencial ampliação das capacidades balísticas iranianas pode colocar interesses americanos e europeus em um raio de alcance maior do que se acreditava anteriormente. As informações são de um funcionário dos EUA que falou à CNN.

Capacidades balísticas iranianas em foco

Jeffrey Lewis, especialista em segurança global do Middlebury College, explicou à CNN que o Irã vinha desenvolvendo um míssil balístico intercontinental. No entanto, este projeto foi posteriormente reorientado para o lançamento espacial após o líder supremo Ali Hosseini Khamenei ter estabelecido o limite de 2.000 quilômetros de alcance em 2017. Lewis sugere que a estratégia iraniana envolvia a expectativa de uma mudança de política ou a morte do líder supremo, que recentemente ocorreu.

Trita Parsi, cofundador do Quincy Institute for Responsible Statecraft, apesar de considerar o território continental dos EUA seguro contra ataques iranianos, enfatizou à CNN que a tentativa em Diego Garcia sugere que outras bases americanas, antes consideradas fora do alcance, podem agora estar vulneráveis. Navios americanos mantidos a 3.000 quilômetros de distância também podem ser alvo.

Repercussões para bases europeias e a inteligência de alvos

Parsi também levanta a preocupação de que este evento possa levar países europeus, que abrigam bases militares americanas, a reconsiderar seus acordos. O Reino Unido, por exemplo, concordou recentemente em permitir o uso de suas bases por forças americanas em operações contra o Irã. A Romênia também autorizou a presença de aeronaves de reabastecimento e equipamentos de vigilância americanos em suas bases.

“Isso realmente coloca certas bases europeias dentro do alcance deles”, afirmou Parsi, acrescentando que “não sei se isso vai levar a uma reavaliação por parte da Europa, mas definitivamente aumenta o risco para eles.” Essa nova realidade aumenta o risco para os países que colaboram com os EUA.

O debate sobre mísseis intercontinentais e a inteligência de alvos

O presidente Donald Trump tem reiterado que o Irã está desenvolvendo mísseis capazes de atingir o território americano. Contudo, uma avaliação não sigilosa da Defense Intelligence Agency de 2025 indica que o Irã poderia desenvolver um míssil balístico intercontinental “militarmente viável” até 2035, caso decida buscar essa capacidade. Fontes da CNN no final do mês passado não indicaram que o Irã esteja atualmente desenvolvendo um programa de míssil balístico intercontinental com foco nos EUA.

Parsi questiona a capacidade do Irã de obter a “inteligência de alvos” e a precisão de mísseis necessárias para atingir alvos distantes com sucesso. “Há grandes partes daquela área, não Diego Garcia em si, nas quais os iranianos não têm capacidade de gerar sua própria inteligência de alvos porque, essencialmente, eles não têm ‘olhos’ lá através de seus satélites, etc.”, explicou. Essa inteligência, segundo ele, provavelmente vem de fontes russas e chinesas, pegando a administração americana de surpresa.

Tecnologia de lançamento espacial e mísseis balísticos

O Irã possui diversos mísseis com alcance de 2.000 quilômetros, como os Sejjil e Khorramshahr, além do míssil de cruzeiro Soumar, com alcance de até 3.000 quilômetros, segundo o CSIS. Sam Lair, pesquisador do Centro James Martin de Estudos sobre Não Proliferação, aponta que os veículos de lançamento espacial do Irã, como o Ghaem-100, poderiam atingir alcances maiores se utilizados de forma balística, e não para fins espaciais. “As pessoas frequentemente esquecem que o lançamento espacial é, fundamentalmente, a mesma tecnologia dos mísseis balísticos”, ressaltou.

Lair também sugere que o alcance de um míssil pode ter sido ampliado com o uso de material explosivo mais leve. Ele especula que um míssil Khorramshahr com uma carga útil muito pequena poderia atingir distâncias maiores. A CNN informou anteriormente que a Rússia está fornecendo ao Irã informações sobre a localização e movimentos de tropas, navios e aeronaves americanas, segundo múltiplas fontes familiarizadas com relatórios de inteligência dos EUA.