Abrindo conteúdo

Irã: Perdas Operacionais, Mas Vitória Estratégica? Professor Explica Impacto Global e Drones Baratos

Irã sofre perdas, mas conquista vantagem estratégica contra EUA e Israel, aponta especialista

Mesmo diante de perdas operacionais consideráveis, o Irã teria alcançado uma vantagem estratégica no conflito com Estados Unidos e Israel. A avaliação é do professor de Relações Internacionais da PUC-Rio, Carlos Frederico Coelho, em entrevista ao WW Especial.

As forças americanas e israelenses realizaram aproximadamente 13 mil ataques contra alvos militares iranianos no primeiro mês de confronto. Os prejuízos, segundo estimativas iniciais do regime iraniano, ultrapassam os US$ 270 bilhões.

A campanha militar degradou a capacidade de resposta do Irã, tanto pela destruição de equipamentos quanto pela eliminação de lideranças importantes. No entanto, a estratégia de Teerã focou em impactar a economia global e aliados de Washington e Tel Aviv no Oriente Médio, conforme análise divulgada pelo WW Especial.

Drones e Estratégia de Dano Econômico

Apesar de ter perdido figuras de peso como o líder-supremo Ali Khamenei, o chefe do Conselho Supremo de Segurança, Ali Larijani, e o ministro da Inteligência, Esmaeil Khatib, em decorrência de ataques atribuídos aos governos de Donald Trump e Benjamin Netanyahu, as lideranças iranianas remanescentes conseguiram coordenar respostas táticas e manter o regime funcional.

Uma parte significativa da infraestrutura de mísseis e drones do país também resistiu à ofensiva americana. Fontes indicam que milhares de drones iranianos permanecem operacionais, representando cerca de 50% da capacidade total do país neste quesito.

“No caso do Irã, a primeira confirmação é de que ataques aéreos não mudam regimes”, afirmou Coelho ao WW Especial. Ele acrescentou que a ideia de que a decapitação da liderança não leva necessariamente a um cenário mais estável também foi demonstrada.

Impacto na Economia Global e Custo-Benefício

A estratégia iraniana incluiu o fechamento da passagem do Estreito de Ormuz, com a colocação de minas, e ataques contra infraestruturas em países como Omã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Esses atos elevaram o preço do petróleo para acima de US$ 110, gerando incerteza na economia global.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu sua previsão de crescimento econômico global devido ao conflito e alertou para o risco de recessão caso a situação se agrave. Nos Estados Unidos, o preço da gasolina chegou a ultrapassar os US$ 4 pela primeira vez desde 2022.

Os custos militares para os EUA também aumentaram, com o uso de armamentos caros, como os mísseis Tomahawks, que custam mais de US$ 2 milhões. Em contrapartida, o Irã utiliza equipamentos mais baratos e de fácil montagem, como o drone Shahed-136, que custa cerca de US$ 35 mil para ser produzido.

Vantagem Estratégica na Resistência

Coelho destaca que, pela primeira vez, o custo menor não é para quem ataca, mas sim para quem se defende. O Irã tem conseguido resistir através da massificação de drones e tecnologias similares.

“Talvez, do ponto estratégico, ter se saído, apesar de operacionalmente derrotado, estrategicamente vitorioso até esse momento”, concluiu o professor, ressaltando a resiliência iraniana.

Sobre o WW Especial

O programa WW Especial, apresentado por William Waack, é exibido aos domingos, às 22h, em todas as plataformas da CNN Brasil. O público pode conhecer o Clube de Membros da CNN Brasil no YouTube para acesso antecipado e conteúdos exclusivos.