Irã e Omã avançam em acordo sobre transporte em Ormuz, diz autoridade
O Irã e Omã estão próximos de finalizar um importante acordo que definirá novos procedimentos para a navegação comercial através do Estreito de Ormuz. A expectativa é que rotas temporárias, que atualmente dividem a passagem ao norte e ao sul, sejam substituídas por uma nova rota única. Esta nova rota passará pelas águas territoriais iranianas e terá validade por um período de dois a quatro meses, segundo informações de um diplomata iraniano de alto escalão.
As negociações, que ocorrem há mais de três semanas, já chegaram a um consenso sobre quase todas as questões relevantes, incluindo o traçado exato das rotas de entrada e saída. A informação foi divulgada em entrevista à agência de notícias oficial IRNA, publicada na quarta-feira (5), pelo vice-ministro das Relações Exteriores do Irã para Assuntos Jurídicos e Internacionais, Kazem Gharibabadi.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, também descreveu as conversas como “positivas” na terça-feira (4), tanto em nível técnico quanto político. O foco principal é garantir rotas seguras para as embarcações que cruzam o vital Estreito de Ormuz. Os dois países já concordaram sobre as coordenadas geográficas das rotas propostas e estão na fase final de elaboração de uma declaração conjunta.
Novo traçado e controle soberano sobre Ormuz
Apesar do avanço nas negociações, Kazem Gharibabadi fez questão de ressaltar que o acordo iminente não significa a reabertura total do estreito. Ele enfatizou que as condições de navegação no Estreito de Ormuz devem ser determinadas exclusivamente pelo Irã e por Omã. Qualquer tipo de interferência externa será firmemente rejeitada por Teerã, reforçando a soberania dos dois países sobre a via marítima.
Posição do Irã sobre negociações com os EUA
Gharibabadi também abordou alegações sobre negociações com os Estados Unidos. Ele negou que existam negociações diretas em andamento, mas confirmou que Teerã recebeu mensagens de Washington expressando a disposição americana em retomar os compromissos do acordo provisório assinado em junho. Segundo o vice-ministro, os EUA enviaram uma mensagem ao Irã cerca de quatro a cinco dias após o início da mais recente onda de hostilidades, propondo diálogos para tratar da questão.
Condições para a reabertura do Estreito de Ormuz
Uma fonte bem informada, próxima à equipe de negociação iraniana, declarou à agência de notícias semioficial Fars que a reabertura do Estreito de Ormuz depende da implementação concreta dos compromissos por parte dos EUA. A fonte acrescentou que a retirada de sanções do Departamento do Tesouro dos EUA contra uma companhia aérea iraquiana, ocorrida na quarta-feira, não tem relação com o memorando de entendimento entre Irã e EUA.
Histórico de tensões no Estreito de Ormuz
O Irã intensificou seu controle sobre o Estreito de Ormuz em 28 de fevereiro. Na ocasião, o país proibiu a passagem segura de embarcações ligadas a Israel e aos Estados Unidos. Essa medida foi uma resposta a ataques conjuntos realizados por esses países contra território iraniano. As forças armadas dos EUA, por sua vez, lançaram múltiplas ondas de ataques contra alvos iranianos no mês passado, alegando que a ação visava “reduzir a capacidade do Irã de ameaçar a navegação comercial” após ataques iranianos a embarcações na região.
Em resposta aos ataques americanos, o Irã utilizou mísseis e drones contra bases e instalações militares dos EUA na região, evidenciando a escalada das tensões no estratégico Estreito de Ormuz.