Agência estatal iraniana afirma que dois líderes de segurança, Ali Shamkhani e Mohammad Pakpour, foram mortos em ataques atribuídos aos EUA e a Israel, alimentando incertezas no Irã
O Irã confirmou a morte de dois de seus principais comandantes, em uma notícia que aumenta a tensão regional e interna. As perdas atingem diretamente a estrutura de comando da segurança nacional e da Guarda Revolucionária.
Ali Shamkhani, conselheiro próximo ao aiatolá Ali Khamenei, e o major-general Mohammad Pakpour, comandante-em-chefe da Guarda Revolucionária Islâmica, foram relatados como mortos nas ações atribuídas aos Estados Unidos e a Israel.
As informações foram divulgadas por agências estatais iranianas, em comunicado que detalha posições e histórico dos dois oficiais, conforme informação divulgada pela agência estatal IRNA.
Quem era Ali Shamkhani e seu papel no Irã
Ali Shamkhani era um dos principais conselheiros do líder supremo Ali Khamenei e ocupava o cargo de secretário do Conselho de Defesa do Irã, segundo a IRNA. Shamkhani atuou como principal autoridade de segurança nacional do país por dez anos, a partir de 2013, e teve cargos importantes na Guarda Revolucionária e no Ministério da Defesa.
Conhecido na diplomacia, ele participou de negociações mediadas pela China com autoridades sauditas que resultaram no restabelecimento de relações entre Irã e Arábia Saudita. Em junho, Israel chegou a afirmar que o havia matado durante um conflito de 12 dias, porém depois se constatou que ele havia sobrevivido e retornado a uma posição relevante no Conselho de Defesa no final do ano passado, conforme a IRNA.
Trajetória de Mohammad Pakpour na Guarda Revolucionária
Mohammad Pakpour era o comandante-em-chefe da Guarda Revolucionária Islâmica, o braço de elite das forças armadas do Irã, subordinado apenas ao líder supremo, segundo relatos oficiais. Pakpour foi promovido ao comando máximo após a morte de seu antecessor, Hossein Salami, durante o conflito de 12 dias do ano passado.
Pakpour ingressou na Guarda Revolucionária logo após sua formação na sequência da Revolução Islâmica de 1979, e chegou a chefiar as Forças Terrestres da IRGC antes da promoção ao cargo atual, segundo a IRNA.
Resposta da IRGC e sucessão interna
Em comunicado citado pela agência estatal Fars, um comandante sênior afirmou que a estrutura da Guarda Revolucionária foi “projetada de tal forma que, imediatamente após o martírio de qualquer comandante… indivíduos competentes e capazes sejam substituídos“, indicando um plano de continuidade de comando.
A mensagem oficial busca transmitir estabilidade institucional no Irã, apesar das perdas de figuras-chave na segurança, e reafirma que a substituição de líderes será feita por oficiais previstos na hierarquia da IRGC.
Contexto regional e possíveis desdobramentos
As confirmações de morte de Shamkhani e Pakpour, atribuídas a ataques dos EUA e de Israel, elevam a possibilidade de novas reações do Irã em esfera regional, e também de intensificação de medidas de segurança internas.
Analistas apontam que a perda de dois nomes de destaque na segurança iraniana pode alterar cálculos estratégicos, e que a resposta do Irã dependerá de múltiplos fatores, incluindo decisões do Conselho de Defesa e do próprio líder supremo, conforme informações das agências IRNA e Fars.