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Irã Alerta ONU: Ataques de EUA e Israel Perto de Usina Nuclear de Bushehr Geram Risco Radiológico e Crise Humanitária

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Irã alerta para risco de vazamento radiológico após ataques de EUA e Israel perto de usina nuclear

O Ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, enviou uma nova e contundente carta à Organização das Nações Unidas (ONU), alertando sobre os perigos iminentes de um vazamento radiológico. A preocupação surge após o que o Irã descreve como o quarto ataque consecutivo dos Estados Unidos e de Israel, direcionado às proximidades da usina nuclear de Bushehr.

Em sua comunicação, Araqchi comparou a situação atual com a guerra na Ucrânia, especificamente os incidentes próximos à usina nuclear de Zaporizhzhia. Ele questionou a indignação ocidental observada nesse caso, ao mesmo tempo em que acusou diretamente os EUA e Israel pelos ataques relatados contra instalações iranianas. As tensões escalaram após ameaças recentes de Donald Trump contra o Irã.

A CNN buscou contato com o CENTCOM e as Forças de Defesa de Israel para obter comentários sobre as alegações feitas por Araqchi. A carta integral enviada à ONU detalha as preocupações e acusações do governo iraniano, ressaltando a gravidade da situação.

Ameaças de Contaminação Radioativa e Críticas à ONU

Na carta enviada à ONU, Abbas Araqchi expressou profunda preocupação com os ataques armados contínuos perpetrados pelos Estados Unidos e por Israel contra instalações nucleares iranianas, com foco especial na usina nuclear de Bushehr. Ele ressaltou que a usina, dedicada a fins pacíficos e sob salvaguardas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), está exposta a um risco real de contaminação radioativa, com consequências humanitárias e ambientais severas para toda a região.

Araqchi criticou veementemente a inação do Conselho de Segurança da ONU e do Conselho de Governadores da AIEA, que, segundo ele, falharam em condenar os ataques ilegais. Ele apontou que, em um período de nove meses, o Irã sofreu duas guerras de agressão, com instalações nucleares pacíficas sendo alvos. A falta de ação desses órgãos internacionais, conforme o ministro, encoraja os agressores e corrói a credibilidade da ONU e da AIEA.

Histórico de Ataques e Violações do Direito Internacional

O ministro detalhou uma série de ataques contra instalações nucleares pacíficas do Irã desde 28 de fevereiro de 2026, sem condenação explícita por parte de organismos internacionais. Entre os incidentes listados estão bombardeios na instalação nuclear de Natanz em 1º e 21 de março, ataques próximos à usina de Bushehr em 17 e 24 de março, além de ataques à Planta de Produção de Água Pesada em Khondab-Arak e ao local de processamento de urânio em Ardakan-Yazd em 27 de março.

Araqchi enfatizou que os ataques repetidos nas proximidades da usina de Bushehr são alarmantes e constituem uma escalada intolerável, com um grave risco de liberação radiológica. Ele afirmou que tais ações violam flagrantemente a Resolução 487 do Conselho de Segurança da ONU e decisões da AIEA, além de infringirem princípios fundamentais do direito internacional humanitário, como o Artigo 56 do Protocolo Adicional I de 1977, que protege instalações com forças perigosas.

Riscos Ambientais e Erosão da Confiança no Regime de Não Proliferação

O ministro alertou para o risco substancial de devastação ambiental, incluindo a contaminação radioativa do Golfo Pérsico e da atmosfera regional, conforme o Artigo 55 do Protocolo Adicional I. Ele destacou que tais danos ambientais ultrapassariam fronteiras nacionais, afetando a saúde pública e o equilíbrio ecológico de toda a população regional.

Araqchi reiterou seu aviso de que a indiferença do Conselho de Segurança da ONU e da AIEA diante dos ataques pode levar os Estados Membros a perderem a confiança no regime de não proliferação nuclear. Ele também registrou protesto formal contra declarações recentes do Diretor-Geral da AIEA, que, segundo o Irã, revelaram informações sensíveis sobre seu programa nuclear pacífico e sugeriram a possibilidade de uso de armas nucleares contra o país, o que seria reprovável e alarmante.

Acusações Contra o Diretor-Geral da AIEA

O Ministro das Relações Exteriores iraniano acusou o Diretor-Geral da AIEA de desviar de seu mandato e violar o Estatuto da Agência e o Acordo de Salvaguardas Abrangentes. Araqchi apontou que entrevistas à mídia em março de 2026 revelaram informações confidenciais sobre o programa nuclear pacífico do Irã. O Irã teme que tais informações possam facilitar novos ataques contra suas instalações nucleares protegidas.

Além disso, a declaração do Diretor-Geral sugerindo a possibilidade de uso de armas nucleares contra o Irã foi considerada profundamente reprovável. Para o Irã, essa posição normaliza o uso ou a ameaça do uso de armas nucleares contra um Estado Parte do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP). Essa conduta, segundo Araqchi, mina a confiança na integridade do regime de não proliferação e na imparcialidade da AIEA.

O Irã tem apresentado protestos formais e alertas explícitos sobre essa abordagem, mas, lamentavelmente, a Agência parece não demonstrar intenção de corrigir erros passados ou aderir a uma conduta profissional e imparcial. O ministro solicitou que a carta seja formalmente registrada como documento do Conselho de Segurança da ONU e circulada como documento da AIEA.