Mercado brasileiro respira após turbulência eleitoral, com Ibovespa em leve alta e dólar cedendo terreno
A bolsa paulista ensaia uma acomodação nesta terça-feira (27), após uma forte reprecificação dos ativos brasileiros na véspera, que chegou a acionar o “circuit breaker” no pregão. A volatilidade foi desencadeada pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no último final de semana.
Após iniciar o dia em bom humor e atingir alta de 1%, o Ibovespa arrefeceu o movimento durante o início da tarde. Às 12h43, o indicador operava em leve alta de 0,21%, aos 176.979 pontos. O contrato futuro do índice com vencimento mais curto, em 16 de dezembro, subia 0,70%.
Na segunda-feira, o Ibovespa acumulou um tombo de 13,88%, a maior queda diária desde 2020. O resultado eleitoral contrariou as apostas de investidores em uma vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) e em uma agenda econômica mais alinhada com o ajuste fiscal.
Conforme informação divulgada pela Reuters, o dólar abriu em baixa ante o real nesta sessão, depois de ter disparado mais de 8% e registrado a maior alta diária em 23 anos no pregão anterior. No mesmo horário do Ibovespa, a moeda americana apresentava queda de 1,51%, cotada a R$ 5,3330.
Mercado aguarda direcionamentos após choque da eleição
Os mercados financeiros operam ainda sob o impacto da onda de venda de ativos brasileiros na véspera, após a reeleição do presidente Lula. No entanto, agentes do mercado agora buscam novos direcionamentos, aguardando indicadores e falas importantes, como as do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
Galípolo concederá coletiva de imprensa às 11h sobre o relatório de estabilidade financeira do BC. Espera-se que sejam os primeiros comentários públicos do chefe da autoridade monetária após a vitória de Lula, o que pode trazer pistas sobre a percepção do Banco Central para o cenário econômico.
Nesta manhã, o Citigroup e a BCA Research rebaixaram a recomendação dos ativos brasileiros após a vitória eleitoral do atual presidente. As instituições argumentaram que o perfil de risco-retorno para ações, títulos e moeda se deteriorou, à medida que os investidores reavaliam as perspectivas de disciplina fiscal e reformas estruturais sob o novo governo.
Os agentes do mercado devem ainda ficar atentos a possíveis pistas sobre a composição da equipe econômica do quarto mandato de Lula na Presidência. A definição de nomes chave na área econômica é crucial para a percepção de risco e para a atração de investimentos.
Cenário externo também influencia o comportamento dos mercados
No front externo, um balanço frustrante do HSBC pesava sobre as ações de bancos, adicionando um elemento de cautela aos investidores. A expectativa de divulgação de balanços de gigantes de tecnologia como Microsoft, Amazon e Alphabet nesta semana também gera atenção.
Os resultados dessas empresas de tecnologia podem trazer pistas importantes sobre se os fortes gastos com inteligência artificial estão gerando o retorno esperado. Isso pode influenciar o apetite por risco globalmente.
Também nesta semana, o Federal Reserve, o BCE (Banco Central Europeu) e o Banco do Japão tomarão decisões sobre política monetária. Há uma expectativa geral de manutenção dos juros nos três casos, o que deve levar os investidores a estarem atentos aos comentários das autoridades monetárias para futuras sinalizações.
