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Ibovespa em Queda Livre: Ajuste Pós-Eleição Continua, Dólar Oscila e Fed Mantém Juros nos EUA

Ibovespa acumula perdas em novo capítulo de ajustes pós-eleição, enquanto dólar opera volátil com cenário externo

A Bolsa de São Paulo viveu mais uma sessão de ajustes negativos após o resultado das eleições presidenciais, com o Ibovespa renovando sua mínima de fechamento desde agosto. O pregão foi marcado pela repercussão da decisão do Federal Reserve sobre juros nos EUA e por balanços de empresas brasileiras, como Santander Brasil, Klabin e Hypera.

A ida do senador Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos, após ser derrotado na disputa presidencial, também adicionou tempero ao dia. O mercado segue atento às definições da nova equipe econômica e aos planos do governo Lula para a questão fiscal, principal fator de atenção dos investidores.

Conforme informação divulgada pela Forbes Money, o Ibovespa recuou 2,68%, fechando em 171.006,10 pontos, com mínima de 170.162,48 e máxima de 175.711,22. O volume financeiro foi robusto, somando R$ 76,40 bilhões.

Ajuste pós-eleição e incertezas fiscais moldam o mercado

Analistas veem o comportamento do Ibovespa como um desmonte de posições após a vitória de Lula, que o mercado avaliava que poderia enfrentar a questão fiscal de forma mais concreta. A falta de divulgação de cenários positivos sobre a situação fiscal do Brasil tem gerado questionamentos sobre futuras quedas de juros, tornando essa possibilidade cada vez mais remota, segundo Lucas Xavier, head da mesa de renda variável da AW Capital.

O senador Flávio Bolsonaro e sua família chegaram a Miami, nos EUA, após descumprirem decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) de entregar passaportes. Flávio Bolsonaro é investigado por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A saída do país pode intensificar atritos entre Brasil e EUA, com reflexos no câmbio.

Federal Reserve mantém juros e mercado aguarda mais dados

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve manteve as taxas de juros na faixa de 3,75% a 4%, como esperado. A autoridade monetária optou por adiar quaisquer alterações nos custos dos empréstimos até depois das eleições de meio de mandato nos EUA, aguardando mais dados sobre a trajetória da inflação, que tende a permanecer elevada.

Em Wall Street, o S&P 500 fechou em alta de 0,28%. A decisão do Fed trouxe um alívio pontual, mas as atenções permanecem voltadas para os desdobramentos da política monetária americana e seus impactos globais.

Destaques corporativos: balanços e movimentações

Santander Brasil Unit caiu 5,88% após reportar queda de 28% no lucro líquido recorrente do terceiro trimestre, com piora na rentabilidade e aumento nas provisões. O presidente-executivo, Gilson Finkelsztain, afirmou que o banco trabalhará para melhorar sua rentabilidade em um cenário macroeconômico ainda exigente.

Bradesco PN recuperou 6,68%, mesmo com analistas do Itaú BBA cortando a recomendação para “market perform” e o preço-alvo. No setor bancário, Itaú Unibanco PN perdeu 3,42%, Banco do Brasil ON cedeu 3,39% e BTG Pactual Unit caiu 6,52%.

Vale On caiu 2,57%, pressionada mesmo com alta nos futuros do minério de ferro na China. A mineradora divulgou seu balanço do terceiro trimestre após o fechamento do mercado.

Petrobras PN fechou com declínio de 0,53% antes da divulgação de seu relatório de produção e vendas do terceiro trimestre. O barril de petróleo Brent fechou em alta de 1%, a US$ 115,32.

Klabin Unit recuou 6,37% com investidores repercutindo o resultado do terceiro trimestre, que mostrou queda de 18% no lucro líquido, afetado por aumento de custos e valorização do real.

Hypera On subiu 1,35% após divulgar balanço com alta de 16% no lucro líquido e anunciar recompra de ações. A farmacêutica registrou forte crescimento nas vendas de sua caneta emagrecedora Semavy em outubro.

Movida On, que não faz parte do Ibovespa, desabou 16,24%, apesar de um salto no lucro líquido do terceiro trimestre. No setor, Localiza On perdeu 2,93%.

Dólar volátil: noticiário político e externo no radar

O dólar à vista encerrou a quarta-feira com variação negativa de 0,04%, a R$ 5,3466, em uma sessão volátil. Investidores ponderaram o noticiário eleitoral, a movimentação política de Flávio Bolsonaro e o cenário externo, especialmente a decisão do Federal Reserve sobre juros.

O dólar futuro para novembro cedia 0,20% na B3, a R$ 5,3460. Após movimentos fortes na segunda e terça-feiras em meio aos ajustes pós-eleição, a moeda iniciou o dia próxima da estabilidade, buscando novos gatilhos para as cotações.

A fuga do senador Flávio Bolsonaro para os EUA gerou preocupações sobre possíveis atritos entre Brasil e EUA, com reflexos no câmbio. Fernando Bergallo, diretor de assessoria do FB Capital, comentou que os “30 centavos que sobraram em cima do preço (do dólar), na comparação com a semana passada, nós colocamos na conta do eleitoral e do fiscal”.

No pico do dia, o dólar à vista atingiu R$ 5,4005 (+0,97%). Após a decisão do Fed, a moeda voltou a perder força e se reaproximou da estabilidade ante o real, enquanto no exterior apresentava sinais mistos ante outras divisas de emergentes.