Ibovespa fecha em queda com exterior e eleições no foco, enquanto dólar volta a superar R$5
O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, encerrou o pregão desta quarta-feira (07) em queda de 0,74%, cotado a 204.302,33 pontos. O mercado local refletiu o ambiente de cautela no exterior e realizou lucros após o forte rali impulsionado pelo primeiro turno das eleições presidenciais.
A bolsa brasileira acompanhou a tendência de baixa das principais praças acionárias globais. A alta dos preços do petróleo para mais de US$100, impulsionada por novas tensões no Oriente Médio, contribuiu para o pessimismo, com o S&P 500, por exemplo, fechando em queda de 0,22%.
Além do cenário internacional, os investidores também analisaram a ata da reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, realizada em setembro. O documento revelou divisões entre os formuladores de política monetária sobre a necessidade de aumento das taxas de juros.
Conforme informação divulgada pelo mercado financeiro, o documento mostrou que alguns participantes do Fed consideravam o aumento das taxas necessário para conter o impacto de choques nos preços do petróleo, enquanto outros viam a medida como essencial para proteção contra a inflação impulsionada pela demanda. A incerteza sobre os próximos passos do Fed adiciona um elemento de volatilidade aos mercados globais.
Cenário Eleitoral Brasileiro Mantém o Mercado em Alerta
No Brasil, o foco principal continuou sendo o desenrolar do cenário eleitoral para o segundo turno. O senador Flávio Bolsonaro (PL) buscou apoio de partidos como Novo, União e PP, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reuniu-se com jovens deputados eleitos. A expectativa é de **volatilidade elevada nos próximos dias**, com as pesquisas eleitorais podendo gerar ajustes nas posições dos investidores.
Marcos Praça, diretor de análises da ZERO Markets Brasil, avalia que o mercado exigirá sinais mais concretos sobre alianças, propostas econômicas e a capacidade de implementação de uma agenda fiscal restritiva. “Depois da forte valorização recente, o mercado deverá exigir sinais mais concretos”, afirmou Praça, destacando a importância da clareza nas propostas econômicas para a sustentação da confiança.
Dólar Supera R$5 Novamente com Influência Externa
Após uma forte valorização do real vista após o primeiro turno, o **dólar voltou a superar a marca de R$5**, fechando em alta de 0,83% a R$5,0156. A moeda norte-americana acompanhou o avanço global frente a outras divisas de países emergentes, como o peso chileno e o peso mexicano.
O avanço do dólar reflete a aversão ao risco no exterior, impulsionada pela alta do petróleo e pela divulgação da ata do Fed. A percepção de que um eventual governo com maior controle das contas públicas poderia ser favorecido pelo mercado, após o primeiro turno, parece ter perdido força diante das incertezas atuais.
Destaques do Pregão: Ações com Movimentações Diversas
No pregão desta quarta-feira, as ações da **Magazine Luiza ON** lideraram os ganhos do Ibovespa, com alta de 5,09%, impulsionadas pelo recuo das taxas futuras de juros. Petrobras PN e ON também registraram altas, apesar da queda do petróleo Brent no exterior.
Por outro lado, os grandes bancos apresentaram perdas significativas. Itaú Unibanco PN caiu 2,66%, Bradesco PN recuou 3,68%, e Santander Brasil Unit perdeu 1,01%. A Vale ON, sem a referência do mercado chinês, recuou 2,3%, refletindo a cautela geral do setor.
BC Intervém no Mercado de Câmbio com Venda de Swaps
Em uma tentativa de conter a volatilidade, o Banco Central do Brasil vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 3 de novembro. A ação visa amenizar a pressão sobre o real e trazer mais estabilidade ao mercado de câmbio, que tem sido influenciado por fatores internos e externos.
A movimentação do Banco Central demonstra a preocupação com a estabilidade da moeda brasileira em um cenário de incertezas. A expectativa é que a atuação do BC possa trazer algum alívio no curto prazo, mas a direção futura do dólar ainda dependerá da evolução do cenário político e econômico, tanto no Brasil quanto no exterior.
