Conflito no Irã adia viagem de Lula aos Estados Unidos e afeta negociações comerciais importantes para o Brasil
A iminente viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos Estados Unidos, prevista para a segunda quinzena de março, foi suspensa devido ao agravamento do conflito no Irã. A notícia foi confirmada pelo ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, que lamentou o adiamento da agenda diplomática e comercial.
Fávaro ressaltou que a viagem era de grande importância para o Brasil, especialmente para as negociações em andamento sobre tarifas impostas pelos EUA ao agronegócio brasileiro. Apesar de algumas reduções já terem sido obtidas, ainda existem muitos pontos a serem discutidos entre os dois países.
O ministro explicou que o próprio presidente Lula o havia convocado para participar da comitiva presidencial, evidenciando a relevância da missão. Contudo, a instabilidade geopolítica gerada pela guerra no Oriente Médio forçou a reavaliação da agenda, priorizando a segurança e a prudência.
Impacto nas negociações do agronegócio
Carlos Fávaro detalhou que a suspensão da viagem impacta diretamente as tratativas sobre as tarifas americanas. O agronegócio brasileiro tem buscado a redução dessas barreiras para aumentar sua competitividade no mercado internacional. O diálogo direto com autoridades americanas era visto como fundamental para avançar nessas negociações.
“A gente está em plena negociação por conta das tarifas impostas nos Estados Unidos, apesar de já ter reduzido. Temos ainda muitos assuntos a serem tratados com os Estados Unidos de interesse comum”, declarou Fávaro a jornalistas, nos bastidores do lançamento do programa Acredita Sebrae em Mato Grosso, em Cuiabá.
Desincompatibilização de Fávaro do Ministério
A agenda nos Estados Unidos foi mencionada por Fávaro ao ser questionado sobre sua futura desincompatibilização do Ministério da Agricultura. O ministro pretende concorrer à reeleição para o Senado pelo Mato Grosso, e o prazo máximo para deixar o cargo é o dia 4 de abril. A decisão final sobre a data de sua saída depende da avaliação do presidente Lula.
“Não sei exatamente (a data). Eu estou aguardando a decisão do presidente Lula”, afirmou o ministro, indicando que a articulação política e a agenda presidencial estão em constante avaliação, especialmente em cenários de incerteza internacional.