Governo Federal Planeja Revitalizar Malha Ferroviária com Oito Projetos Estratégicos em 2026
O governo federal mira em 2026 para dar um novo fôlego à agenda de ferrovias no Brasil. A expectativa é de que oito projetos importantes avancem, abrangendo diferentes modalidades como concessões, renovações antecipadas de contratos, relicitações e chamamentos públicos. Essa iniciativa visa destravar investimentos e reorganizar a infraestrutura ferroviária do país.
O primeiro projeto previsto para ir a leilão é o Corredor Minas Rio. Embora a expectativa inicial fosse de que o certame ocorresse em abril, o edital ainda não foi publicado. George Santoro, secretário-executivo do Ministério dos Transportes, indicou que o documento, originalmente previsto para janeiro, deve ser divulgado até maio, com o chamamento público possivelmente ocorrendo em agosto.
Conforme informação divulgada pelo Ministério dos Transportes, a estratégia para malhas menores, conhecidas como shortlines, será focada em chamamentos públicos. “O que vai ter um direcionamento mais de política pública é o chamamento, menos autorização. O chamamento público é o instrumento que eu vejo que o governo mais vai se debruçar”, explicou Guilherme Sampaio, diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Novos Instrumentos para Ampliar a Malha Ferroviária
A ANTT, em parceria com o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), está mapeando corredores ferroviários que atualmente não estão operacionais. O objetivo é revitalizá-los por meio de chamamentos públicos, contemplando tanto corredores exclusivos para cargas quanto mistos, com cargas e passageiros. Essa abordagem busca otimizar o uso da infraestrutura existente.
A intenção é replicar o modelo bem-sucedido do setor portuário, com editais claros, projetos de referência e análise rigorosa do Tribunal de Contas da União (TCU). Projetos que não demandam grandes investimentos, sejam públicos ou privados, terão um processo mais ágil, com envio ao TCU restrito a empreendimentos que necessitem de aportes financeiros significativos.
Relicitações e Renovação de Contratos em Destaque
Projetos como a Malha Oeste e a Malha Sul terão seus contratos relicitados. A Malha Oeste, cujo contrato expira em julho, teve uma tentativa de negociação no TCU sem sucesso. Já o contrato da Malha Sul, com término previsto para fevereiro de 2027, tem um novo leilão programado para dezembro de 2026.
O Corredor Leste-Oeste, que engloba a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico) e a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), também passará por leilão em agosto. Recentemente, foi assinada a viabilização de um novo trecho da Fiol 2. A intenção é que o Ministério dos Transportes construa 68% da Fiol 2, elevando para 71% com as novas obras. A empresa vencedora do leilão será responsável pelo restante da execução e pela construção integral da Fiol 3.
No caso da Malha Sul, o projeto foi estrategicamente dividido em três partes: Corredor Paraná-SC, Rio Grande e Mercosul. Essa segmentação visa aumentar a atratividade para potenciais investidores. No entanto, o Ministério Público Federal expressou preocupação com a indefinição sobre o futuro da ferrovia, alertando que a divisão da malha pode comprometer seu papel logístico a longo prazo.
Projetos Aguardados e Renovação Antecipada
Dois dos leilões mais esperados são os da EF-118, o Anel Ferroviário Sudeste, e o da Ferrogrão. Ambos foram aprovados pela ANTT em dezembro de 2025, sendo os primeiros deliberados desde 2021. A Ferrogrão passou por uma atualização de estudos devido a questionamentos no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a passagem da ferrovia por uma área de proteção ambiental.
Além das novas concessões, a agenda de 2026 inclui a conclusão de processos de renovação antecipada de contratos. A renovação da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) deve ser enviada ao TCU ainda em março, enquanto a Ferrovia Tereza Cristina já tem audiência pública aberta. A Transnordestina, também conhecida como FTL, pode ter sua renovação concluída neste ano.
Se o cronograma do Ministério dos Transportes for cumprido, 2026 marcará a maior movimentação no setor ferroviário desde o leilão da Fiol 1 em 2021. A estratégia governamental combina diferentes instrumentos para **destravar investimentos** e reorganizar a malha existente, gerando otimismo em relação a uma virada operacional para o setor após anos de incertezas. Apesar do otimismo do governo, especialistas do setor admitem que a realização de todos os oito leilões previstos para 2026 é ambiciosa, e considerariam um sucesso a concretização de ao menos dois empreendimentos significativos até a B3.