Flávio Bolsonaro pressiona por candidatura própria do PL em Minas Gerais, mas cenário político se complica
O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, manifestou o desejo de que o Partido Liberal (PL) apresente uma candidatura própria ao governo de Minas Gerais nas próximas eleições. A orientação, segundo apuração da Itatiaia, parte da cúpula nacional do PL e visa fortalecer a legenda no estado e criar um palanque para o próprio Flávio na disputa presidencial.
A estratégia, no entanto, esbarra em articulações já em andamento e em potenciais candidaturas que poderiam inviabilizar o plano original do PL. A definição da chapa majoritária em Minas Gerais tem sido marcada por tensões e negociações complexas entre os diversos grupos políticos.
A intervenção de Flávio Bolsonaro ocorre em um momento crucial, com diferentes postulantes e alianças em disputa. A possibilidade de uma candidatura própria do PL surge como uma alternativa diante da incerteza sobre a participação de outros nomes fortes no cenário eleitoral mineiro. Conforme apuração da Itatiaia, a informação foi confirmada por interlocutores do partido.
Cenário de incerteza com Cleitinho e Marcelo Aro
A principal condição para o PL lançar candidatura própria, de acordo com a apuração, é a eventual desistência do senador Cleitinho (Republicanos) em concorrer ao governo. Cleitinho, que lidera as pesquisas de intenção de voto, é visto pela cúpula do PL como o nome mais forte para uma possível aliança. Caso ele não concorra, o partido considera justificável ter sua própria cabeça de chapa.
Paralelamente, o ex-secretário de Estado Marcelo Aro (PP) tem articulado para ser o nome da coligação entre PL, Republicanos e a Federação União Progressista. Essa articulação, porém, gerou descontentamento entre pré-candidatos do PL, como Vittório Medioli, ex-prefeito de Betim, e Flávio Roscoe, presidente licenciado da Fiemg. Aro também desagradou o deputado federal Cabo Junio Amaral, que teve o apoio do PP negado em sua eleição para prefeito de Contagem.
Alianças e descontentamentos no campo da direita
A movimentação de Marcelo Aro também afetou o ex-prefeito de Patos, Luís Eduardo Falcão, que se filiou ao Republicanos a convite de Cleitinho. O acordo previa que Falcão seria o vice na chapa de Cleitinho e, na ausência deste, seria o próprio candidato, com o apoio do senador. Essa não é a primeira vez que Falcão se vê em meio a conflitos envolvendo Aro, que em 2023 apoiou um adversário de Falcão na eleição para a Associação Mineira dos Municípios (AMM).
A articulação de Marcelo Aro se intensificou após o senador Carlos Viana se filiar ao PSD, o que levou Aro a desembarcar do governo de Mateus Simões (PSD). Aro buscou pressionar Simões a interferir para barrar Viana, mas, segundo interlocutores do governo, a alegação de ter sido “traído” é “absurda”, pois sua indicação para a primeira vaga no Senado estava garantida. Aro teria ganhado força para sua campanha ao Senado, utilizando sua posição no governo Zema para distribuir verbas a prefeitos em troca de apoio.
Interferência de Flávio Bolsonaro e futuro incerto
Diante desse cenário complexo e das reações negativas, Flávio Bolsonaro interveio, orientando pela candidatura própria do PL em Minas Gerais. A decisão final, contudo, ainda depende da posição do senador Cleitinho, que vive um momento delicado devido ao luto pela perda de seu irmão e ainda não se pronunciou oficialmente sobre sua candidatura.
A possibilidade de uma candidatura pura do PL em Minas Gerais busca, em última instância, fortalecer o partido e garantir um palanque para Flávio Bolsonaro na disputa presidencial. No entanto, as negociações e os interesses de outros grupos políticos indicam que a definição da chapa majoritária no estado mineiro ainda reserva muitas surpresas.