Voo de Flávio Bolsonaro aos EUA não cruzou espaço aéreo brasileiro e utilizou passaporte diplomático
A aeronave que transportou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos na noite da última terça-feira (27) realizou um trajeto que evitou completamente o espaço aéreo brasileiro. Segundo informações da plataforma de rastreamento de voos FlightAware, a viagem teve início no Paraguai, passando por Bolívia e Peru antes de chegar ao destino final na Flórida.
A decisão de buscar rotas alternativas surge em um contexto de medidas judiciais contra o senador. Flávio Bolsonaro deixou o Brasil após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar o cancelamento de seus passaportes. Ele cruzou a fronteira com a Argentina, em Foz do Iguaçu, e embarcou em um voo privado em Puerto Iguazú, Argentina, com destino a Guayaquil, no Equador, para reabastecimento.
A aeronave, uma Gulfstream G400 de matrícula argentina LV-JQW, seguiu para Miami, onde pousou por volta das 10h24 da quarta-feira (28). Conforme apurado, o senador utilizou seu passaporte diplomático brasileiro para ingressar nos Estados Unidos, mesmo após a ordem de cancelamento pela Polícia Federal (PF). A informação sobre o uso do passaporte diplomático foi divulgada pelo Metrópoles e confirmada pela CNN Brasil.
Rota de Fuga e Precauções de Voo
A rota escolhida para a viagem do senador Flávio Bolsonaro foi detalhada pela plataforma FlightAware. Após deixar a Argentina, o avião seguiu para Guayaquil, Equador, onde fez uma parada para abastecimento. De lá, partiu em direção à Flórida, nos EUA. Essa trajetória, que incluiu Paraguai, Bolívia e Peru, demonstrou uma estratégia para evitar o território nacional.
Roberto Peterka, especialista em segurança de voo, explicou que as aerovias funcionam como “estradas aéreas” e a escolha do trajeto é coordenada entre o piloto e os países sobrevoados. Ele sugere que a rota pode ter sido uma “excesso de precaução”, considerando a autonomia da aeronave, que é de aproximadamente 7.778 quilômetros, próxima à distância entre Argentina e EUA (cerca de 7.500 km).
Peterka ressaltou que, embora o voo pudesse teoricamente ser realizado sem paradas, a autonomia real depende de fatores como peso e altitude, calculados pelos pilotos. Ele também mencionou que, mesmo que o avião tivesse cruzado o espaço aéreo brasileiro, a interceptação após autorização de voo seria uma “agressão diplomática ou mesmo declaração de hostilidade”, dada a natureza da aeronave com matrícula estrangeira.
Uso de Passaportes e Documentação de Viagem
A entrada de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos levantou questões sobre a documentação utilizada. Relatos indicam que o senador utilizou seu passaporte diplomático brasileiro para entrar em Miami. Isso ocorreu um dia após a Polícia Federal, a mando do ministro Alexandre de Moraes, ter determinado o cancelamento de seus passaportes.
Antes de chegar aos EUA, o senador utilizou seu passaporte italiano para entrar em território argentino. Sua esposa, Fernanda, e uma de suas filhas, por outro lado, viajaram com passaportes brasileiros, enquanto outra filha apresentou seu RG. Esses detalhes sobre o uso de diferentes documentos por membros da família e a escolha de rotas alternativas chamam a atenção.
Contexto da Viagem e Decisão Judicial
A viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos ocorreu em um momento delicado, após a decisão do STF que resultou no cancelamento de seus passaportes. A ordem judicial visava impedir que o senador deixasse o país, mas ele conseguiu embarcar em um voo privado que o levou para fora do Brasil.
A utilização de um passaporte diplomático para entrar nos EUA, mesmo com a ordem de cancelamento do passaporte comum, sugere uma complexa situação legal e diplomática. Os registros da U.S. Customs and Border Protection confirmaram a entrada do senador em solo americano na quarta-feira, detalhando o desdobramento dos eventos.
