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Fim da OTAN: Especialista alerta que Rússia se tornaria principal ameaça à Europa sem EUA, Putin pode avançar além da Ucrânia

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Especialista em Direito Internacional Priscila Caneparo adverte sobre o futuro da OTAN e os impactos para a segurança europeia.

A especialista em Direito Internacional, Priscila Caneparo, levantou preocupações significativas sobre o futuro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Em entrevista recente, ela destacou que uma eventual saída dos Estados Unidos da aliança militar poderia reconfigurar drasticamente o cenário de segurança global.

Segundo Caneparo, tal cenário abriria espaço para que a Rússia se tornasse a principal ameaça para os países europeus. A especialista baseia sua análise nas recentes declarações de Donald Trump, ex-presidente dos EUA, que tem frequentemente questionado o papel e a relevância da OTAN para a segurança internacional.

As falas de Trump, interpretadas por muitos como um enfraquecimento do compromisso americano com a defesa coletiva, geram um ambiente de instabilidade. A professora Priscila Caneparo acredita que a ausência de um apoio robusto dos EUA pode encorajar ações mais assertivas por parte da Rússia em diferentes regiões, indo além do conflito já existente na Ucrânia. Essa é a principal preocupação levantada pela especialista, conforme apurado pela CNN Brasil.

Rússia como ameaça central sem a defesa coletiva da OTAN

Caneparo alertou que, sem a OTAN como um escudo protetor, qualquer país europeu estaria mais vulnerável a ações agressivas do presidente russo, Vladimir Putin. “Se a OTAN de fato vier a desaparecer em uma perspectiva prática, qualquer um dos países europeus vai ser ou poderá ser alvo do Putin sem que isso tenha uma defesa coletiva”, afirmou a especialista.

O cenário geopolítico atual, segundo a especialista, é marcado por uma alteração profunda na relação entre Estados Unidos e Europa. Se antes o apoio mútuo era uma certeza, hoje essa dinâmica mudou, especialmente devido às críticas de Trump ao papel da OTAN na segurança europeia, que ele frequentemente descreve como uma “civilização em decadência”.

Europa se reorganiza militarmente diante da insegurança

A insegurança gerada pelas declarações de Trump tem impulsionado a Europa a uma reestruturação militar. A professora observou que, especialmente após o retorno de Trump à Casa Branca e seu questionamento aos gastos militares com a Ucrânia, o continente começou a se remodelar internamente em termos de defesa.

Um exemplo notável dessa mudança é a Alemanha. Historicamente relutante em fazer grandes investimentos militares, o país foi um dos que mais aplicou recursos em sua estrutura militar no último ano, impulsionado pela incerteza provocada pelas posições de Trump em relação à OTAN.

Vulnerabilidade europeia sem uma defesa coletiva consolidada

Apesar dos esforços de reorganização, Caneparo ressalta que a União Europeia ainda não possui um sistema de defesa coletiva plenamente organizado, nos moldes do Artigo 5º da OTAN. Essa falta de uma estrutura consolidada de defesa mútua coloca o continente em uma posição vulnerável, caso a aliança militar ocidental seja significativamente enfraquecida ou deixe de existir na prática.

A especialista enfatizou que o maior temor europeu não reside na postura dos Estados Unidos, mas sim na possibilidade de a Rússia expandir sua influência, possivelmente tomando uma parcela significativa do território ucraniano, sem uma resposta coletiva robusta.