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Fim da 6×1: Municípios Brasileiros Enfrentam Custo Extra de R$ 5 Bilhões em Serviços Terceirizados, Alerta CNM

Fim da 6×1: Prefeituras Preveem Gastos Adicionais Bilionários com Terceirização

A recente aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece o fim da escala de trabalho 6×1 e a redução da jornada semanal para 40 horas promete trazer mudanças significativas para o mercado de trabalho brasileiro. No entanto, para os municípios, a medida acende um alerta financeiro considerável, especialmente no que diz respeito aos serviços terceirizados.

Estimativas da Confederação Nacional de Municípios (CNM) apontam que o fim da jornada 6×1 pode gerar um custo adicional de aproximadamente R$ 5,14 bilhões por ano apenas com serviços terceirizados. Este valor considera os reajustes necessários nos contratos com empresas que prestam serviços essenciais às prefeituras e a ampliação de equipes para manter a continuidade e a qualidade dos serviços públicos.

O impacto total da nova jornada de trabalho sobre as finanças municipais pode atingir R$ 6,6 bilhões anuais, incluindo despesas diretas com novas contratações. A CNM baseou seus cálculos em pesquisas com gestores locais, levando em conta o período completo de transição para a nova jornada. Conforme informação divulgada pela CNM, o presidente da entidade, Paulo Ziulkoski, destacou que “Para manter o mesmo nível de prestação dos serviços públicos, as empresas terceirizadas precisarão ampliar as contratações e irão repassar esses custos, o que irá gerar um desequilíbrio nos contratos públicos com as prefeituras”.

Impacto Financeiro Varia Conforme o Porte do Município

A magnitude do impacto financeiro decorrente da redução da jornada de trabalho não é uniforme e varia de acordo com o tamanho de cada município. Cidades de pequeno porte, por exemplo, podem ter uma despesa adicional média de R$ 447 mil por ano. Já os municípios de médio porte enfrentarão um custo anual estimado em R$ 2,2 milhões.

Em contrapartida, os grandes centros urbanos terão o maior ônus financeiro. A estimativa é que esses municípios possam ter um gasto adicional de até R$ 28,8 milhões anualmente. Essa variação reflete a maior dependência e o volume de serviços terceirizados nessas localidades, além da necessidade de um número maior de profissionais para cobrir as novas jornadas.

Quais Serviços Municipais Serão Mais Afetados?

A CNM identificou os serviços mais comumente terceirizados que sofrerão os maiores impactos. Atividades como **conservação, limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos** foram citadas por 69% dos gestores municipais como as mais frequentemente contratadas externamente. Esses serviços são essenciais para o funcionamento diário das cidades.

Em seguida, aparecem os serviços de **manutenção de prédios, equipamentos e instalações**, mencionados por 44% dos entrevistados. Outras áreas importantes que podem ter seus custos elevados incluem **serviços de informática** (29%) e **segurança e vigilância** (27%). A necessidade de adequação das equipes a uma jornada menor exigirá um aumento no quadro de funcionários dessas empresas contratadas.

Justificativas para a Terceirização e o Futuro dos Contratos

As razões que levam os municípios a optarem pela terceirização são diversas. Uma das principais justificativas, apontada por 57% dos gestores, é a **demanda por serviços superior à capacidade do quadro próprio de funcionários**. A busca por **redução de custos**, incluindo despesas com pessoal, foi mencionada por 42%, e a **dificuldade em manter profissionais** qualificados foi citada por 40%.

A PEC prevê um período de transição de 14 meses para a implementação completa da nova jornada. Para os contratos de terceirização, a proposta permite o **aditamento contratual um ano após a publicação da emenda**, visando o reequilíbrio econômico-financeiro dos acordos. Essa medida busca mitigar os impactos financeiros imediatos sobre os cofres públicos e permitir que prefeituras e empresas se ajustem às novas realidades trabalhistas e orçamentárias.