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Filha de Maradona denuncia “manipulação horrível” da equipe médica em julgamento sobre morte do craque

Julgamento sobre morte de Maradona: Filha relata “manipulação horrível” pela equipe médica

Gianinna Maradona, uma das filhas do ícone do futebol argentino, Diego Maradona, trouxe novas e contundentes declarações ao julgamento que apura as circunstâncias da morte do pai. Em depoimento realizado nesta terça-feira (21), ela descreveu um cenário de **”manipulação total e horrível”** perpetrado pela equipe médica que acompanhava o craque nas últimas semanas de sua vida, expressando sentir-se como “uma idiota” diante dos fatos.

As acusações de Gianinna foram direcionadas a figuras centrais no cuidado de Maradona, incluindo o neurocirurgião Leopoldo Luque, a psiquiatra Agustina Cosachov e o psicólogo Carlos Díaz. Ela afirmou com veemência: **”Confiei nessas três pessoas e tudo o que fizeram foi manipular e deixar meu filho sem avô”**. A declaração ressalta a profunda decepção e o sentimento de traição vivenciados pela família.

Diego Maradona faleceu aos 60 anos em decorrência de uma crise cardiorrespiratória e um edema pulmonar, enquanto estava sozinho em sua residência. A internação domiciliar, que se tornou um ponto crucial no julgamento, foi apontada por Gianinna como uma recomendação direta do Dr. Luque. Conforme relatado por ela, a decisão de mantê-lo em casa foi apresentada como a **”melhor opção”** naquele momento, com alternativas secundárias caso não funcionasse, mas que, com a perspectiva atual e o acesso a gravações, ela não consegue mais conceber que não houvesse um plano diferente em andamento.

Acusações e a busca por culpados

Gianinna detalhou que a última vez que viu seu pai foi em 18 de novembro, uma semana antes de sua morte. Ela revelou que o psicólogo Carlos Díaz teria instruído que Maradona não recebesse visitas, sob a justificativa de **”dar espaço”**. Essa medida, segundo ela, contribuiu para o isolamento do pai em seus momentos finais.

A filha do craque também expressou que a família se sentiu alvo de tentativas de responsabilização. **”Eles tentaram me culpar, até mesmo outro dia, quando ouvi na imprensa que estavam tentando me culpar por não ter encontrado um médico”**, declarou, adicionando que, com a vinda à tona de áudios, ficou evidente que **”havia tantas pessoas tentando transferir a culpa para nós, nos responsabilizar”**.

Retomada do julgamento e os acusados

A Justiça argentina reiniciou o julgamento em 14 de abril, após uma anulação anterior em maio do ano passado. Os envolvidos na equipe médica de Maradona são acusados de **negligência e homicídio simples com dolo eventual**. A Justiça determinou que todos os depoimentos e provas apresentados anteriormente fossem ouvidos novamente pelo Tribunal Oral en lo Criminal nº 7 de San Isidro.

Sete dos oito profissionais de saúde que acompanhavam Diego Maradona estão agora diante dos juízes. Entre os réus figuram o neurocirurgião Leopoldo Luciano Luque, a psiquiatra Agustina Cosachov, o psicólogo Carlos Ángel Díaz, a coordenadora da prestadora de serviços médicos Nancy Edith Forlini, o coordenador da Medidom SRL Mariano Ariel Perroni, o enfermeiro Ricardo Omar Almirón e o clínico geral Pedro Pablo Di Spagna. Apenas um dos oito envolvidos não está sendo julgado.

O contexto da internação domiciliar

A decisão pela internação domiciliar foi um dos pontos centrais levantados no depoimento de Gianinna. Ela explicou que a recomendação partiu do neurocirurgião Leopoldo Luque, um dos principais acusados. A ideia era que Maradona recebesse cuidados intensivos em casa, sendo esta apresentada como a **”melhor opção”** na época, com outras alternativas em segundo plano.

Gianinna frisou que a decisão não foi tomada de forma impulsiva. No entanto, com as informações e áudios que vieram à tona posteriormente, ela questiona a veracidade das intenções da equipe médica. **”Com a perspectiva que tenho hoje, ouvindo as gravações, não consigo imaginar que estivessem planejando algo diferente”**, afirmou, sugerindo que a internação domiciliar pode ter sido parte de uma estratégia maior e manipuladora.