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Fifa é Acusada de Priorizar Lucro em Detrimento de Direitos Humanos na Copa do Mundo 2026, Revela Relatório Crítico

Fifa sob Fogo: Relatório Denuncia Negligência com Direitos Humanos na Copa do Mundo 2026

Um relatório contundente divulgado nesta terça-feira (13) lança sérias acusações contra a Federação Internacional de Futebol (Fifa). A organização Sport & Rights Alliance, dedicada à defesa dos direitos humanos no esporte, afirma que a entidade priorizou receitas recordes em detrimento do bem-estar de torcedores e jornalistas durante a Copa do Mundo de 2026.

Segundo a análise, a Fifa falhou em assumir suas responsabilidades, deixando que violações de direitos ocorressem sem a devida intervenção. A dependência da entidade em governos locais e autoridades para lidar com problemas foi apontada como uma falha grave.

O documento destaca que a Fifa não ofereceu diretrizes claras, fiscalização adequada ou financiamento suficiente para garantir o cumprimento das normas, nem estabeleceu punições para os envolvidos em casos de descumprimento. Conforme informação divulgada pela Sport & Rights Alliance, a falta de compromisso da direção da Fifa com seus próprios princípios resultou em um torneio onde o lucro se sobrepôs às pessoas.

Torneio Histórico Marcado por Restrições e Discriminação

A Copa do Mundo de 2026, sediada conjuntamente por México, Canadá e Estados Unidos e expandida para 48 seleções, foi palco de diversas barreiras. O relatório aponta para restrições de vistos, exigências de entrada complicadas e interrogatórios prolongados nas fronteiras. Essas dificuldades afetaram a mobilidade de torcedores, atletas, comissões técnicas, árbitros e jornalistas.

As limitações de deslocamento, de acordo com o levantamento, impactaram de forma desproporcional pessoas de países sujeitos a regras migratórias mais rigorosas, incluindo cidadãos de algumas das nações participantes do torneio. Essa situação gerou um ambiente de discriminação baseado na nacionalidade.

Críticas à Concessão de Prêmio e Expectativas Frustradas

O relatório também direcionou críticas à decisão da Fifa de conceder seu primeiro Prémio da Paz ao então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, uma escolha considerada controversa à luz das políticas migratórias da época. Andrea Florence, diretora-executiva da Sport & Rights Alliance, expressou em entrevista à Reuters que as expectativas de mudanças concretas na Copa de 2026 eram altas.

Florence ressaltou que a Política de Direitos Humanos da Fifa, adotada em 2017, e os compromissos específicos para o torneio geravam esperança em avanços significativos. No entanto, a realidade apresentada pelo relatório indica um distanciamento desses objetivos.

Recomendações e Resposta da Fifa

Diante do exposto, o relatório apresenta uma série de recomendações para a Fifa. A organização vê na proximidade da próxima eleição presidencial da entidade e na Copa do Mundo Feminina de 2027, no Brasil, uma oportunidade crucial para colocar os direitos humanos com mais destaque na agenda do futebol. A Sport & Rights Alliance busca impulsionar mudanças concretas para os próximos eventos.

Em resposta por escrito à Sport & Rights Alliance, obtida pela Reuters, o secretário-geral da Fifa, Mattias Grafström, reconheceu que o relatório levanta preocupações importantes e identifica áreas para aprimoramento. Grafström afirmou que a Fifa divulgará um relatório próprio sobre direitos humanos e sustentabilidade na Copa do Mundo de 2026, prometendo um relato abrangente com contexto adicional e uma abordagem mais equilibrada.

Um porta-voz da Fifa declarou que a entidade tem orgulho dos resultados da Copa do Mundo de 2026, descrevendo-a como uma celebração inédita do futebol e da união. A Fifa assegura que continuará trabalhando abertamente com as partes interessadas para fortalecer sua governança, seus compromissos com os direitos humanos e o impacto positivo do esporte globalmente.