Ex-jogadora do Santos e atleta da Seleção Brasileira criticam Cuca e cobram responsabilidade de clubes no futebol
A contratação de Cuca como novo técnico do Santos Futebol Clube gerou forte repercussão e críticas nas redes sociais. Bruna Nhaia, ex-jogadora do clube santista e lateral-direita do Gotham FC, dos Estados Unidos, expressou sua revolta com a decisão da diretoria.
Em seu perfil no Instagram, Bruna Nhaia questionou a normalização de históricos controversos no esporte. Ela citou um caso grave envolvendo o treinador em 1987, quando ele foi acusado de ter relação sexual com uma menor de idade na Suíça, enquanto ainda era jogador.
A ex-atleta santista ressaltou que, embora a condenação original tenha sido anulada por questões processuais, isso não configura uma comprovação de inocência. A declaração de Bruna Nhaia reflete um sentimento crescente de inconformidade com a forma como o futebol lida com acusações sérias.
Cuca e o caso na Suíça em 1987
Em 1989, Cuca foi condenado a 15 meses de prisão em regime semiaberto por manter relação sexual sem consentimento com uma menina de 13 anos. O incidente ocorreu durante uma excursão à Suíça, quando ele atuava pelo Grêmio.
Na época, Cuca e outros três jogadores foram presos. O treinador foi liberado após o pagamento de fiança. O caso foi enquadrado no artigo 187 do Código Penal suíço, que criminaliza atos sexuais com menores de 16 anos.
A pena não foi cumprida, pois o Brasil não extradita seus cidadãos e os envolvidos não retornaram à Suíça. A sentença prescreveu após 15 anos. Em 2024, a Justiça suíça anulou a condenação por vício processual, o que, segundo Bruna Nhaia, não significa inocência.
Fê Palermo também se manifesta contra a contratação
Fernanda Palermo, jogadora do Palmeiras e da Seleção Brasileira, também utilizou as redes sociais para expressar sua opinião. Ela ampliou a crítica ao cenário do futebol, afirmando que o ambiente esportivo frequentemente relativiza comportamentos inadequados fora de campo.
“O futebol entra em uma questão que vira fanatismo. A gente simplesmente esquece o que o ser humano fez como cidadão, pelo simples fato de ser ou ter sido um jogador super habilidoso, ter feito muito pelo nosso país/clube”, escreveu Fê Palermo.
A atleta criticou a omissão diante de acusações graves e questionou a postura do futebol em ignorar tais situações. Ela defendeu maior responsabilidade de clubes e dirigentes, argumentando que existem outros técnicos sem históricos de acusações.
“Porque o futebol está sendo esse lugar que insiste ignorar essas coisas? Vamos inspirar e sermos exemplos positivos. E quem pensa: ‘ah, mas foi há muito tempo’ e ‘não foi comprovado’. Parem e assumam nosso papel como sociedade”, complementou.
Apelo por responsabilidade e coerência no esporte
Fê Palermo relatou ter sofrido abusos sexuais e morais que ainda não conseguiu provar, explicando o motivo de sua posição pública. “Eu já sofri abusos sexuais, morais e que até hoje não consegui provar e nem sei quando vou conseguir. Mas não consigo mais ser conivente, pois sim, o meu silêncio me torna conivente.”
A jogadora enfatizou a importância da coerência como cidadãos e lamentou a situação, especialmente por se tratar de um clube com a história do Santos. “Dói no coração porque sabemos da história do Santos Futebol Clube. Mas entra na questão que falei que o futebol não pode ser fanatismo. Temos que ser coerentes enquanto cidadãos.”
Por fim, Fê Palermo fez um apelo à diretoria do Santos para que reveja situações recorrentes no clube e na sociedade. “Espero de coração que a diretoria reveja situações que têm sido recorrentes no clube e na sociedade”, finalizou.