Deputados dos EUA cobram Meta sobre eleições no Brasil: Lula e Flávio Bolsonaro sob escrutínio
Doze deputados democratas e o senador independente Bernie Sanders, dos Estados Unidos, enviaram uma carta a Mark Zuckerberg, CEO da Meta, demonstrando preocupação com a atuação das plataformas da empresa, como WhatsApp, Instagram e Facebook, durante o processo eleitoral brasileiro. A principal questão levantada é a alegação de tratamento desigual entre as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
Os parlamentares americanos citam relatos que indicam uma possível restrição de conteúdo associado à campanha de Lula, enquanto, simultaneamente, haveria uma amplificação ou recomendação de material ligado a Flávio Bolsonaro. Essa disparidade levanta sérias dúvidas sobre a imparcialidade das redes sociais no cenário político brasileiro.
A campanha de Lula tem, de fato, apresentado queixas formais, incluindo alegações de restrição na entrega de anúncios, desativação de contas de publicidade e aprovação de anúncios pagos do exterior sem a devida rotulagem. Esses pontos foram destacados na comunicação enviada à Meta, conforme informações divulgadas pela CNN Brasil.
Preocupações Repetidas e Ações de Órgãos Internacionais
As inquietações dos congressistas americanos não surgem isoladamente. Especialistas independentes da ONU já haviam questionado a atuação da Meta nas eleições brasileiras de 2026. Além disso, o Ministério Público Eleitoral do Brasil apontou que a companhia não cumpriu integralmente as medidas de isonomia eleitoral estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A Meta, por sua vez, tem negado veementemente qualquer tipo de interferência ou favorecimento político, atribuindo os problemas relatados a falhas técnicas. A empresa afirma que busca manter a neutralidade em todos os processos eleitorais em que suas plataformas estão presentes.
Responsabilidade das Plataformas e Pedido de Equidade
Na carta, os políticos dos EUA enfatizaram a importância fundamental das redes sociais na comunicação política e declararam ser “inaceitável que qualquer plataforma de rede social favoreça um candidato ou partido político em detrimento de outro, seja de forma deliberada ou inadvertida”. Eles ressaltam a responsabilidade americana em garantir que plataformas de redes sociais dos EUA não influenciem resultados de eleições em outros países.
Os congressistas instaram Zuckerberg a tomar “medidas imediatas para assegurar que, daqui em diante, os candidatos e suas respectivas campanhas em eleições democráticas recebam tratamento e acesso equitativos em suas plataformas”. Pediram também esclarecimentos adicionais sobre as ações da Meta para garantir “condições de disputa equilibradas” nas redes sociais.
Esclarecimentos Urgentes e Auditoria de Dados Solicitada
A solicitação inclui a marcação de uma reunião de esclarecimento com a Meta para esta sexta-feira (23) e um prazo até 4 de novembro para que a empresa responda a seis questionamentos específicos. As perguntas abordam como a Meta orientou seus funcionários na moderação de conteúdo em eleições estrangeiras, incluindo as brasileiras de 2026, e quais iniciativas foram tomadas para cumprir as determinações do TSE.
Um ponto crucial levantado é se a Meta permitirá que um auditor independente tenha acesso a dados internos sobre moderação e distribuição de conteúdo, especialmente aqueles relacionados a conteúdo político nas eleições brasileiras. O objetivo é verificar se há, de fato, tratamento igualitário aos candidatos nas plataformas da empresa.
Contexto Eleitoral nos EUA e Preocupação Genuína
É relevante notar que esses questionamentos ocorrem em um momento crucial para os próprios Estados Unidos, às vésperas das eleições de meio de mandato (Midterms), que renovarão a Câmara e o Senado em 3 de novembro. Uma fonte ligada ao Congresso americano afirmou à CNN Brasil que a agilidade na mobilização dos políticos demonstra uma **preocupação genuína** com o cenário no Brasil e a atuação da Meta.
A fonte destacou que a rapidez com que a carta foi elaborada e divulgada, mesmo durante a reta final das eleições de meio de mandato, evidencia a seriedade com que os congressistas tratam essas preocupações. A disposição para agir com tal agilidade, apesar das agendas lotadas, sublinha a importância atribuída ao tema por parte deles.
