EUA ampliam armada no Oriente Médio com reforço aéreo e naval, sanções econômicas e negociações em Genebra, em meio à escalada de ameaças e receios de conflito com o Irã
Os Estados Unidos enviaram uma dúzia de caças F-22 para a região, deslocando aeronaves que estavam em bases temporárias no Reino Unido para Israel, em um reforço que acende alertas sobre uma possível ação militar contra o Irã.
Além dos F-22, a armada americana próxima ao Irã inclui dois porta-aviões, 13 contratorpedeiros e destroieres e três pequenas embarcações de combate, além de outros equipamentos da Aeronáutica, um movimento que amplia significativamente a capacidade de ataque e dissuasão.
Ao mesmo tempo, há esforços diplomáticos em curso, com uma nova rodada de negociações marcada para Genebra, enquanto Washington combina pressão militar e sanções a Teerã, conforme informação divulgada pelo g1.
Reforço aéreo e naval e precedentes históricos
O envio de uma dúzia de caças F-22 chama atenção porque essas aeronaves são, segundo os fabricantes e analistas, capazes de atacar alvos na terra e no ar sem ser detectadas, e participaram da Operação Midnight Hammer, que bombardeou instalações militares iranianas no ano passado.
Segundo o Centro para Estudos Internacionais Estratégicos, a dimensão da atual frota da Marinha dos EUA é a mesma da Operação Raposa do Deserto, em 1998, que foi uma ordem do então presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, para ataques contra o Iraque.
Diplomacia em paralelo, negociações em Genebra
Enquanto aumenta a presença militar, delegações do governo americano e do Irã farão uma nova rodada de negociações em Genebra, numa tentativa clara de evitar que a escalada termine em confronto aberto.
O governo norte-americano enviou representantes ligados ao círculo do presidente para as conversas, numa combinação de demonstração de força e tentativa de acordo, em que cada lado reclama garantias estratégicas irreconciliáveis.
Pressão econômica e discurso público
Junto ao cerco militar, os Estados Unidos também aumentaram a pressão econômica sobre o Irã, com o Departamento do Tesouro americano anunciando novas sanções contra empresas, indivíduos e embarcações que, segundo Washington, são ligados à venda e produção ilegal de mísseis balísticos do Irã.
No discurso público, o presidente americano reforçou a retórica, afirmando, “Minha preferência é para resolver esse problema por meio da diplomacia, mas uma coisa é certa: eu nunca vou permitir o patrocinador número um do terrorismo, o que os iranianos são de longe, ter uma arma nuclear”.
Críticas internas e risco de conflito prolongado
A estratégia de combinar pressão militar e sanções tem críticos, inclusive dentro da política americana, que apontam para o risco de um conflito prolongado e para a falta de um plano claro para o pós-ataque.
Em tom crítico, a oposição democrata avaliou que atacar o Irã seria um erro grave, e Nancy Pelosi afirmou, em entrevista, “Todos nós concordamos que o Irã não pode ter uma arma nuclear, o presidente Obama, de forma magistral, com grande virtuosidade, teve uma solução diplomática em como nós poderíamos ter um acordo nuclear com o Irã, ele reverteu isso, rejeitou, deixou de lado, e agora está usando a ameaça militar e o resto, é tão ridículo”.
Com a presença reforçada de F-22 e da armada naval, e com sanções crescendo, a região vive um momento de alta tensão, enquanto diplomatas trabalham para transformar a escalada em negociação, e evitar que a pressão militar leve a um confronto direto com o Irã.