Tensão entre Reino Unido e EUA ameaça visita real: Rei Charles pode ter sua viagem aos EUA cancelada devido a desentendimentos entre Keir Starmer e Donald Trump sobre a guerra no Irã.
A relação entre o Reino Unido e os Estados Unidos enfrenta um momento delicado, com divergências significativas sobre a estratégia na guerra contra o Irã. Essa tensão tem gerado incertezas sobre a possibilidade de uma visita de Estado do Rei Charles III aos Estados Unidos, convidado pelo presidente Donald Trump.
Inicialmente, o governo britânico, sob a liderança do primeiro-ministro Keir Starmer, buscou uma abordagem de conciliação com Trump, utilizando elogios e demonstrações de apreço para obter benefícios em acordos comerciais e apoio internacional.
No entanto, a recusa do Reino Unido em apoiar militarmente a ação contra o Irã, considerada ilegal por Starmer, gerou fortes críticas por parte de Trump. O presidente americano tem atacado publicamente o primeiro-ministro britânico, questionando a força da aliança entre os dois países e comparando Starmer desfavoravelmente a figuras históricas como Winston Churchill.
Críticas de Trump a Starmer e o risco para a visita real
Donald Trump tem expressado publicamente sua insatisfação com a postura de Keir Starmer em relação à guerra no Irã. Em declarações recentes, Trump chegou a afirmar que o Reino Unido não é mais a “Rolls-Royce dos aliados”, demonstrando um claro desapontamento com a relutância britânica em se envolver mais ativamente no conflito.
Essa escalada de críticas por parte do presidente americano tem levado parlamentares britânicos a questionar a prudência de uma visita de Estado do Rei Charles III aos Estados Unidos. A preocupação é que o monarca possa ser exposto a constrangimentos ou a um ambiente hostil, o que seria indesejável para a imagem da Coroa.
Emily Thornberry, membro do parlamento pelo Partido Trabalhista, sugeriu que seria mais seguro adiar a visita, argumentando que é preciso “pensar muito cuidadosamente se é apropriado ou não prosseguir agora”.
Histórico de desentendimentos sobre o conflito no Irã
A origem da rivalidade entre Trump e Starmer remonta à recusa inicial do Reino Unido em utilizar suas bases militares para apoiar a guerra contra o Irã. Starmer considerou a ação ilegal, mas posteriormente se juntou à defesa contra a retaliação iraniana após ataques a ativos militares britânicos.
Ainda assim, Trump tem zombado das ofertas de ajuda de Starmer, criticando o primeiro-ministro por não fazer mais. Em uma ocasião, Trump disse a Starmer para “não se incomodar” em enviar porta-aviões, pois “não precisamos de pessoas que se juntam às guerras depois que já vencemos!”.
Mais recentemente, Trump criticou a hesitação de Londres em enviar navios de guerra para proteger o Estreito de Hormuz, descrevendo a situação como “terrível” e expressando decepção com a necessidade de Starmer consultar sua equipe para tomar decisões.
A estratégia de apaziguamento e seus limites
Peter Westmacott, ex-embaixador britânico em Washington, analisou que a estratégia de “bajulação” por parte do governo britânico tem demonstrado seus limites. Starmer tem tentado gerenciar o relacionamento com Trump de forma reservada e racional, mas a imprevisibilidade do presidente americano torna essa abordagem desafiadora.
“Ele tenta usar calma e razão e argumentos que possam agradar a Trump. Mas claramente nem sempre funciona, e você nunca sabe o que ele vai dizer no dia seguinte”, comentou Westmacott à CNN, ressaltando a dificuldade em prever as reações de Trump.
Incertezas sobre a confirmação da visita real
Apesar das divergências, Donald Trump sinalizou que espera receber o Rei Charles III em breve para uma visita de Estado, mencionando a construção de um “magnífico salão de baile” para receber chefes de Estado estrangeiros.
No entanto, a imprevisibilidade de Trump pode influenciar a decisão do governo britânico. Downing Street busca evitar constranger o monarca com as críticas frequentes de Trump ao Reino Unido, mas também não quer irritar o presidente ao cancelar abruptamente os planos.
A porta-voz de Downing Street se recusou a comentar sobre os detalhes da visita, enfatizando que “ainda não foram confirmados”. A possibilidade de adiar a visita surge como uma alternativa para mitigar os riscos diplomáticos.
Opiniões divididas no cenário político britânico
A postura de Keir Starmer em relação à guerra no Irã tem gerado debates internos no Reino Unido. Enquanto alguns o criticam por excesso de cautela, outros, inclusive opositores, passaram a defender o primeiro-ministro diante dos ataques de Trump.
Nigel Farage, aliado de Trump, inicialmente defendeu um maior envolvimento britânico, mas mudou de posição ao perceber a impopularidade da guerra. Kemi Badenoch, líder do Partido Conservador, criticou as “palavras erradas” vindas da Casa Branca, classificando a “guerra de palavras” como “inadequada”.