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De Raízen a Casas Bahia: 15 Gigantes Empresariais Lutam Para Reestruturar Dívidas em 2026 Diante de Juros Altos e Erros Estratégicos

Nomes conhecidos do mercado brasileiro enfrentam dificuldades financeiras em 2026, buscando renegociar dívidas bilionárias e evitar a falência. Análise aponta que juros altos e crédito caro são fatores agravantes, mas erros estratégicos se mostram a causa raiz de muitas crises.

O ano de 2026 tem se mostrado um período crítico para diversas empresas de grande porte no Brasil. Uma lista crescente de companhias emblemáticas, que vão desde o setor de energia até o varejo, está recorrendo a processos de recuperação judicial ou extrajudicial para reestruturar suas finanças e honrar compromissos.

O cenário econômico desafiador, marcado por juros elevados e custo de crédito caro, pressiona o caixa das empresas, dificultando a manutenção de estoques, o financiamento de operações e o planejamento de crescimento. Contudo, especialistas alertam que o ambiente externo, por si só, não explica todas as dificuldades enfrentadas.

Conforme informações divulgadas pela Serasa Experian, o Brasil registrou um recorde em 2025 com 977 processos de recuperação judicial, envolvendo 2.466 CNPJs. Para 2026, os dados mais recentes indicam que até maio foram registrados 65 processos, com 237 CNPJs envolvidos. A dificuldade em honrar dívidas se tornou uma realidade preocupante para muitos empresários brasileiros.

Erros Estratégicos: O Principal Vilão das Crises Empresariais

Leandro Guissoni, professor da FGV e autor do livro “Quem quebra inova”, enfatiza que, embora os juros altos sejam um fator relevante, o principal peso nas crises empresariais recai sobre o erro estratégico. Ele argumenta que, mesmo em cenários de crédito caro, há empresas que conseguem prosperar, evidenciando que a gestão interna e as decisões tomadas são cruciais para a sobrevivência e o sucesso.

Altair Heitor, contador e especialista em gestão, complementa que a análise de cada caso deve ser individualizada. Ele explica que o caixa pode deixar de comportar os compromissos devido a fatores como endividamento excessivo para expansão, perda de margens operacionais ou lentidão na adaptação do negócio. Estes são resultados de crises, mas nem sempre sua origem direta.

O crédito caro e o refinanciamento mais difícil, segundo Heitor, agravam fragilidades existentes, mas não substituem a necessidade de um diagnóstico preciso. Aquisições que não trouxeram o retorno esperado, expansões incompatíveis com a capacidade financeira ou operações que perderam competitividade são exemplos de falhas internas que o ambiente econômico apenas potencializa.

15 Empresas em Busca de Reestruturação em 2026

Diante deste cenário, diversas companhias de renome estão em processo de reestruturação para reorganizar suas finanças e renegociar dívidas. Entre elas, destacam-se:

Raízen: Um Plano de R$ 61,4 Bilhões para Energia e Biocombustíveis

A Raízen, atuante nos setores de energia e biocombustíveis, busca reestruturar cerca de R$ 61,4 bilhões em dívidas financeiras através de um plano de recuperação extrajudicial. A proposta inclui a conversão de parte dos créditos em ações e um aumento de capital. Bruno Boris, sócio fundador do Bruno Boris Advogados, observa que grandes conglomerados como a Raízen possuem passivos elevados, mas a negociação tende a ser mais ágil devido à relevância e ao interesse do mercado em evitar a quebra.

Braskem: US$ 10,9 Bilhões em Renegociação Petroquímica

A petroquímica Braskem enfrenta uma reestruturação financeira de US$ 10,9 bilhões. A empresa e seus credores têm um prazo para chegar a um acordo, com propostas que envolvem aportes de acionistas e conversão de dívidas em ações. Boris ressalta que setores como o petroquímico estão sujeitos a ciclos longos e fatores externos, mas empresas com ativos essenciais, como a Braskem, demonstram maior resiliência.

Casas Bahia: R$ 17,3 Bilhões em Recuperação Judicial no Varejo

O varejo brasileiro é representado pelas Casas Bahia, que pediu recuperação judicial em agosto com um passivo declarado de R$ 17,3 bilhões. Leandro Guissoni aponta que, apesar do crescimento do e-commerce, ele não tem sido suficiente para resolver a questão do caixa da companhia. Bruno Boris destaca que redes de varejo são mais expostas à inflação e ao desemprego, necessitando de capital de giro a custos elevados.

Outras Empresas em Busca de Solução

A lista de empresas em processo de reestruturação inclui ainda a Oncoclínicas (saúde, R$ 5,7 bilhões), o GPA (varejo, R$ 4,6 bilhões), o Grupo Euro17 (crédito e securitização, R$ 1,72 bilhão), Ruiz Coffees (café, R$ 775 milhões), o Grupo Toky (dono de Tok&Stok e Mobly, R$ 1,1 bilhão), Alliança Saúde (diagnóstico e laboratórios, R$ 1,1 bilhão), Ri Happy e PBKids (brinquedos, R$ 827,4 milhões), St. Marché (supermercados), o Grupo Gênnius (Habib’s, Ragazzo, Tendall Grill, R$ 265,2 milhões), Marabraz (móveis e eletrodomésticos, R$ 140 milhões), CVLB (Casa&Video e Le Biscuit, R$ 1,71 bilhão) e o Grupo Estrela (brinquedos, R$ 109,2 milhões).

O Que o Futuro Reserva Para as Empresas em Crise

Especialistas como Guissoni defendem que o momento da ação define o tipo de mudança possível. Empresas com fôlego financeiro podem realizar transformações graduais, como o Magazine Luiza fez. No entanto, quando a crise ameaça a continuidade, mudanças radicais se tornam necessárias, citando exemplos como a Amazon e a Aramis.

Altair Heitor recomenda avaliar se, mesmo com a dívida antiga renegociada, o negócio possui demanda, margens sustentáveis e capacidade de gerar caixa. Se a operação continuar consumindo recursos, é preciso rever custos, modelo de negócio ou estratégia comercial. Ele alerta que vender mais nem sempre significa melhorar o caixa, e é fundamental analisar a geração de caixa operacional e a proporção da dívida de curto prazo.

Bruno Boris acrescenta que planos com descontos elevados e prazos muito longos, sem mudanças operacionais, podem apenas adiar a crise. A recuperação de uma empresa viável depende da capacidade de mitigar custos e melhorar negociações com fornecedores sem perder mercado. A consistência do plano, segundo Heitor, reside em demonstrar como a empresa atravessa a transição e como funcionará após ela, garantindo a sustentabilidade financeira e operacional.