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Crise energética em Cuba: racionamento extremo, queima de lixo em Havana e risco de paralisação econômica após falta de petróleo em 2026

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A capital, Havana, convive com o cheiro de lixo e agora com fumaça que queima a garganta, gerada pela queima de montes de resíduos como tentativa de lidar com a crise.

O racionamento extremo de energia atinge serviços, o turismo e a produção, e autoridades e analistas apontam para um cenário grave e em evolução.

O governo diz que ainda não recebeu petróleo em 2026, e medidas emergenciais têm sido adotadas sem garantia de solução rápida, conforme informações divulgadas pela CNN.

Queima de lixo e riscos à saúde

Moradores de diversas áreas de Havana relatam fumaça poluente causada pela incineração de resíduos, uma resposta improvisada à falta de coleta e de combustível.

O Ministro do Meio Ambiente, Armando Rodríguez Batista, afirmou, em publicação no Facebook, que “Nestes tempos difíceis causados ​​pela escassez de combustível resultante do bloqueio energético, enfrentamos situações complexas que exigem análises aprofundadas e soluções imediatas”, e alertou que não incentiva a queima por representar risco à saúde.

Hospitais e serviços públicos já sofrem com cortes, e especialistas lembram que a poluição por queima de resíduos pode agravar quadros respiratórios e ampliar o impacto social da crise.

Impacto econômico e comparação com o Período Especial

Analistas e historiadores comparam o momento ao “Período Especial” dos anos 1990, mas ressaltam diferenças significativas no contexto atual.

Segundo Sebastián Arcos, diretor do Instituto de Pesquisa Cubana da FIU, “Ao excluir a Venezuela como fornecedora, inicia-se uma contagem regressiva. O xeque-mate vem com a declaração presidencial do dia 29”.

Para especialistas, a recessão hoje parte de um ponto mais baixo, após anos de subinvestimento, e o impacto pode ser mais visível no cotidiano, no transporte e no abastecimento de alimentos.

O economista Pavel Vidal destacou desequilíbrio e pressão sobre setores essenciais, prevendo que a falta de energia pode paralisar atividades em semanas e desencadear uma espiral inflacionária, com a taxa de câmbio informal já tendo alcançado 500 pesos por dólar.

Isolamento internacional e papel dos EUA

Sem o apoio da Venezuela e com restrições internacionais, Cuba busca ajuda, mas enfrenta limites nas respostas externas.

Países como México, Chile, Espanha e Canadá anunciaram envios de ajuda humanitária, mas não suprimentos de combustível em escala que revertam o racionamento.

Arcos afirmou que a ordem executiva dos EUA que permite sancionar quem vende petróleo a Cuba transforma Washington em “um agente ativo de mudança”, e que a medida confirma a pressão externa sobre Havana.

Risco social e perspectivas

O descontentamento cresce, mesmo em um país com forte repressão, e pesquisadores alertam para a possibilidade de protestos mais amplos caso a situação se deteriore ainda mais.

Michael Bustamante, da Universidade de Miami, disse que muitos percebem o momento como pior porque Cuba não se recuperou totalmente do Período Especial, e que a existência de um setor privado atenua, por ora, uma escassez mais aguda.

Vidal ressaltou que resolver a crise exige mais que ajuda temporária, apontando para a necessidade de mudanças estruturais em um modelo que enfrenta falta de investimentos, capital humano reduzido e saída de profissionais pelos fluxos migratórios.

O quadro atual, marcado por racionamento extremo, fumos nas ruas e isolamento externo, deixa claro que autoridades e sociedade se preparam para semanas de ajustes forçados, com pouco espaço para respostas imediatas.