O eremita que construiu um templo de pedras desafiando a natureza e a história na Coreia do Sul
Em meio às montanhas de Maisan, na Coreia do Sul, um espetáculo singular se revela: mais de 80 pilhas de pedras, algumas atingindo impressionantes 15 metros de altura, erguem-se em um silêncio imponente. Este feito monumental não é obra da natureza, mas sim o resultado de três décadas de trabalho árduo e devoção de um único homem, o eremita Lee Gap-Yong.
Inspirado por uma profunda espiritualidade, Lee Gap-Yong dedicou sua vida a empilhar cada pedra, uma a uma, transformando um vale isolado em um santuário de meditação e reflexão. Seu trabalho se tornou um símbolo de perseverança e fé, atraindo visitantes e monges budistas que preservam o local até hoje.
A história por trás dessas torres de pedra é tão fascinante quanto sua construção. Cada empilhamento era um ato de oração, um pedido por sorte e um exercício de atenção plena. Conforme informações divulgadas pelo Cheongpung News, o abade Jinseong relata que, enquanto empilhava as pedras, Lee Gap-Yong rezava pela independência da nação e pela salvação do povo coreano, em um período de grande instabilidade política.
A História do Templo de Tapsa e a Devoção de Lee Gap-Yong
O templo de Tapsa, que hoje encanta turistas e fiéis, começou a ser construído em 1885. Lee Gap-Yong, então com 25 anos, subiu a montanha de Maisan com um propósito: meditar e dedicar sua vida a um ritual espiritual. A tradição budista vê o empilhamento de rochas como uma forma de meditação ativa, um meio de alcançar equilíbrio e atenção plena.
O abade Jinseong explicou que as torres de pedra, ou pagodes, representam a cristalização dos desejos e da prática espiritual de muitas pessoas. Lee Gap-Yong, em particular, empilhava cada pedra enquanto oferecia preces pela nação, num tempo em que a Coreia lutava para afirmar sua soberania diante de influências estrangeiras, como a japonesa e a chinesa.
O trabalho de Lee Gap-Yong se estendeu por mais de trinta anos, terminando em 1917. Estima-se que ele tenha construído mais de 100 torres, das quais cerca de 80 permanecem de pé, desafiando o tempo e os elementos. O eremita só se tornou monge budista na velhice, após concluir sua obra monumental.
A Ciência Viva por Trás das Torres de Pedra Inabaláveis
Uma das perguntas mais frequentes sobre as torres de Tapsa é como elas conseguem permanecer intactas, sem desmoronar. O abade Jinseong atribui essa durabilidade à profunda consciência de Lee Gap-Yong sobre os elementos naturais. Ele construiu as pilhas com um entendimento preciso dos ângulos do vento, de sua direção e de como ele interage com as rochas.
Segundo uma investigação do Channel News Asia, a construção de cada torre seguia um método meticuloso. Começava com uma base circular plana, seguida pela adição de novas pedras dentro do círculo. O passo final era o delicado equilíbrio de outras rochas por cima, formando uma estrutura piramidal cônica.
As pedras utilizadas eram, em sua maioria, retiradas da própria montanha e de seus arredores. No entanto, rochas maiores foram transportadas de leitos de rios e outras regiões da Coreia. A estabilidade era garantida pelo encaixe estratégico de pedras menores entre as maiores, sem o uso de ferramentas ou argamassa.
Tapsa, um Legado Espiritual Aberto ao Público
O templo de Tapsa, agora um ponto turístico preservado pela ordem budista Taego, está aberto à visitação pública. Localizado dentro do Parque Provincial de Maisan, o local oferece não apenas as impressionantes torres de pedra, mas também trilhas naturais que encantam os visitantes.
A primavera coreana, especialmente entre março e abril, é considerada o período ideal para visitar Tapsa. Durante essa estação, as famosas árvores cerejeiras florescem, pintando a paisagem com tons de rosa e criando um cenário ainda mais mágico para quem busca paz e contemplação.
O trabalho de Lee Gap-Yong, iniciado com uma inspiração divina, transcendeu o tempo e o espaço, tornando-se um testemunho da força da fé, da resiliência humana e da profunda conexão com a natureza. As pedras empilhadas em Tapsa contam uma história de devoção, esperança e um legado espiritual que continua a inspirar gerações.
